Editorial: Por uma polícia cidadã

É assustador mas não surpreende o fato de a maioria da população brasileira (70,1%) não confiar na polícia

Por O Dia

Rio - É assustador mas não surpreende o fato de a maioria da população brasileira (70,1%) não confiar na polícia, de acordo com estudo do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que O DIA detalha hoje. Ao histórico de desconfianças, construído em décadas de autoritarismo e cumplicidade com crimes da base ao pico da pirâmide social, somaram-se, nos últimos meses, as cenas de despreparo das corporações estaduais em lidar com as manifestações de rua.

O latente despreparo fica evidente também no aterrador número de mortos em ações policiais. A tragédia amplia a sensação de que a saída é começar tudo de novo. Foram 1.890 óbitos em confrontos em 2012. Sim, a polícia brasileira, presa à velha cartilha que ensina a tirar primeiro e perguntar depois, mata muito. E também morre mais do que deveria. Segundo o documento, policiais correm risco de morte três vezes maior do que um cidadão comum, o que torna a carreira cada vez menos atraente.

Os dados põem em xeque o atual modelo. Apontam para a necessidade de reformulações profundas. Mas ao mesmo tempo dão pistas para soluções. O primeiro passo para tornar melhores nossas instituições, tanto a Civil como a Militar, é investir mais em inteligência e informação.

É fundamental que nas doutrinas de treinamento o foco seja o de proteger vidas e não o atual, de combate. A sociedade precisa de uma polícia que respeite e faça respeitar os preceitos legais, a ordem pública, a propriedade e os direitos individuais do cidadão. Uma polícia, enfim, que dê um basta às arbitrariedades e valorize a vida acima de tudo.

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