Por bferreira

Rio - Há alguns anos, o título de uma matéria num jornal do Rio anunciava: “Fulano admite que usou avião de traficante”. O fulano em questão era candidato a presidente da República. Lendo-se a reportagem, a situação se esclarecia. Um grande traficante de drogas fora preso e a Justiça apreendera seus bens. Entre esses, um jatinho. Para evitar que a aeronave se deteriorasse, um juiz determinou que ele fosse arrendado a uma empresa. Pois bem, o candidato em questão alugou naquela empresa o tal jatinho para usá-lo na campanha. Quando um repórter mostrou-lhe que o avião era de um traficante, admitiu que, sim, era.

Quem lesse a matéria toda, saberia que o candidato em questão não tinha culpa no cartório. Quem se limitasse ao título ficava com a impressão de que ele sabia que usava o avião de um traficante. Naturalmente, o candidato processou o jornal. Deve ter ganho a causa. Mas sofreu um prejuízo irreparável na campanha.

O episódio demonstra que é essencial a criação de mecanismos ágeis no Judiciário para julgar situações como esta.

O que dizer, então, de matérias na internet? Com a importância crescente de redes sociais, blogs e sites, é preciso buscar formas de garantir uma rápida correção de falsidades ou, lembrando a história acima, de esclarecimentos que evitem interpretação distorcida.

Como compatibilizar isso com a liberdade de expressão? Quem deve ser responsabilizado pelos erros? Quem primeiro postou a informação ou, também, quem a compartilhou, dado que na internet a pessoa não é apenas receptora? Como garantir o cumprimento de uma eventual determinação judicial para a retirada do ar de uma informação, dado que ela pode ser compartilhada em proporções geométricas?

Eis alguns desafios que precisam ser enfrentados.

Presidente da Comissão da Verdadedo Rio e da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB

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