Por bferreira

Rio - Minha cadeira da Academia Friburguense de Letras tem o número seis, patronímico Augusto dos Anjos, um escritor paraibano. Conheço a Paraíba de leste a oeste com algumas incursões pelo sertão e agreste, portanto não posso ficar calado diante de uma suposta pérola do Enem.

Vejam, senhores leitores que atribuem a este exame a seguinte pergunta: “Fale sobre o vale do Paraíba”. Surge, a partir daí, a resposta do candidato: “Sou favorável plenamente ao vale do paraíba, assim como defendo todos os demais vales, vale refeição, vale gás etc. Por que não um vale para o paraíba já que tantos contribuem com valioso trabalho para o desenvolvimento do Brasil? A esta resposta atribuiu-se a qualidade de pérola do Enem.

Vamos lá, a primeira ressalva relaciona-se à pergunta. Qual o rio, cujo vale deve ser comentado, o que banha o Estado da Paraíba ou o rio Paraíba do Sul que se localiza entre São Paulo e Rio de Janeiro? Mais, “falar” sobre a população, a geografia física ou a economia?

Não havendo uma caracterização e uma precisão da pergunta, num país com a proliferação de “vales” muito conhecidos, pode o arguidor criar complicadores de resposta. E quem respondeu precisa verificar que suas afirmações ferem os conceitos de cidadania, dado que fica claro o aspecto pejorativo da abordagem acerca de um povo que teve e tem sua participação social e política em nossa história.

Mais uma vez precisamos esclarecer que o “NEGO” da bandeira vermelha e preta do Estado da Paraíba corresponde ao presente do indicativo do verbo negar.

Negar uma velha república para aderir a uma nova república, onde a cor vermelha representa a Aliança Liberal de 1930 e a cor preta o luto pela morte de João Pessoa.

Pedagogo e escritor

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