Por adriano.araujo

Rio - Segurar uma pessoa inteira nos seus braços, envolvê-la, ter no seu abraço um corpo em miniatura e protegê-lo do mundo são superpoderes de uma mãe. Entre seus ombros e suas coxas, repousa o ser diminuto, coberto por uma aura de amor que só seu colo produz. Uma sensação de proteção que podemos até não buscar ao longo da vida, mas sabemos identificar a alma plena quando nos deparamos com ela.

Ser filho: poder entregar seu peso nas mãos de alguém, sendo que esse peso é leveza para quem o recebe. Uma troca justa e bem arquitetada na criação do homem. Para a mãe, a satisfação de ter a capacidade de acalmar, acomodar o que está fora de ordem, servir a água fervente na xícara e ela levemente esfriar, atingindo uma temperatura branda. Misturar a água fervente com a fria e conseguir o morno morno, que não está nem mais para frio, nem mais para quente. O equilíbrio.

O colo de mãe que todos dizem que não há nada semelhante a. Um apreço, um conforto, mergulhar num prato de mingau, boiar e ter a segurança das bordas da piscina. Quando a vida vai passando, e vamos crescendo, temos que nos proteger das situações que surgem de dificuldade, enfrentamento, medo de chegar em casa, pessoas precárias, ônibus cheio no engarrafamento debaixo de um toró, fome. Acordar cedo, dormir tarde, ter os olhos ardendo como se estivessem com areia e ter que acordar e seguir em frente. Um fora do namorado, uma traição de uma amiga, uma frase mesquinha que escuta, os males do mundo. Buzina alta, nota baixa na prova, discussão depois de falar demais, decepção.

Nessas horas, tudo nos leva ao desejo de sentir-se protegido como nesse abraço. Precisaríamos de um gigante para nos defender da vida. Esse gigante tem nome: é Mãe. Nome curto, com força tão grandiosa. O simples encostar da nossa cabeça em seu colo já nos traz uma leveza curativa, mas, e se pudéssemos estar envolvidos em seu abraço como quando fomos bebês, inteiros?

O bebê não sabe nada da vida, só que seu colo acalma. E se fortalece na firmeza de seu olhar. O sorriso pleno, devagar, que vai se abrindo aos poucos, retribui tanta generosidade, pois ser mãe é ser generoso, é devotar-se, é não sentir medo. Sabe aquela sensação de quando tem alguém com medo do nosso lado e nós ficamos corajosos, pegamos a mão da pessoa e enfrentamos o escuro? Isso é ser mãe. Brincar de Deus, fechar-se no seu casulo para fazer nascer dali um ser transformado e cheio de coragem para os anos que virão, quando você nem tem mais tanta coragem assim.

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