Editorial: Segunda chance real a presos

Dá o Rio importante passo para melhorar seu sistema prisional com o anúncio da construção de um centro de triagem e de mais quatro cadeias públicas com 2.250 vagas

Por O Dia

Rio - Dá o Rio importante passo para melhorar seu sistema prisional com o anúncio da construção de um centro de triagem e de mais quatro cadeias públicas com 2.250 vagas. Num país onde as penitenciárias são um permanente barril de pólvora, graças principalmente à superlotação, a medida pode abrir caminho, enfim, à humanização nas carceragens do estado.

Chama atenção a nova unidade de seleção de presos que funcionará no Complexo de Gericinó. Lá começará o combate ao que há de mais pernicioso no sistema: a mistura que põe na mesma cela, por exemplo, ladrões de galinha com chefões do tráfico, o que transforma os presídios em universidades do crime.

Pela primeira vez — e surpreende que essa seleção já não ocorresse —, um setor de triagem será montado exclusivamente para separar detentos de acordo com grau de periculosidade e direcioná-los às unidades, após avaliação de especialistas da área jurídica e médica. A expectativa é que seja um divisor de águas.

A construção de mais quatro cadeias públicas também porá fim ou amenizará outro grave problema, que é a superpopulação nas celas. São medidas muito bem-vindas. Mas não bastam.

É preciso que se dê o segundo passo e se invista em programas de ensino profissionalizante nos presídios. Capacitação profissional, trabalho e renda é tudo que um sentenciado precisa para se habilitar à retomada da vida aqui fora. Já passa da hora de as cadeias deixarem de ser depósitos humanos para se transformar em reais centros de ressocialização de presos.

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