Por bferreira

Rio - Terça-feira, 1º de outubro de 2013 — dia de horror para servidores, comerciantes e trabalhadores que atuam nas redondezas da Câmara dos Vereadores. Cinelândia fechada, ruas interditadas; camburões por todo canto. Esforço para garantir a votação do Plano de Cargos dos professores da rede municipal, encaminhado pelo Executivo, que não atendia aos profissionais. Apesar dos apelos de funcionários e da oposição para o fim da sessão, o projeto foi votado sob a trilha sonora de bombas e ilegalidades, como galerias vazias, sem acesso ao povo — o dono da casa.

“Perderam a cabeça?”, eu perguntava, sem entender a arrogância e o radicalismo. O líder do governo alegava que a pressão só terminaria após a votação. Engano.Na segunda-feira seguinte, novos confrontos deixaram saldo de destruição maior. Dos 51 vereadores, 40 votam com prefeito. Não é este o papel dos vereadores. O Rio carece de autonomia do Poder Legislativo. O contraditório não tem vez: todo o poder emana do Executivo e pelo prefeito é exercido.

A revolta das ruas é reflexo de que o cidadão não aguenta mais desprezo. Mas é preciso bom-senso. Botar fogo no Palácio Pedro Ernesto não resolve. Pichar prédio público, também não. Depredar o comércio e os bancos e incendiar ônibus é crime. Hostilizar jornalistas é inaceitável, absurdo, injustificável. Por que a polícia só reprime manifestações pacíficas? Aos professores, gás de pimenta. Aos vândalos, liberdade para depredar.

Eduardo Paes e os seus 40 legisladores — a base aliada— foram eleitos. E só o voto popular pode sepultar o que não é bom para o Rio. Cidadania não é ganhar no grito. É fiscalizar a aplicação dos recursos; discutir política; saber qual é a função do Executivo e do Legislativo; valorizar o voto. O Parlamento só vai melhorar à medida que aprendermos a exercer com mais sabedoria a nossa cidadania.

Vereadora, líder do PSDB na Câmara Municipal do Rio

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