Editorial: A vez da poupança na Corte

O imbróglio todo se prende ao alvo das ações

Por O Dia

Rio - Depois de mandar à cadeia os responsáveis pelo Mensalão — esquema de corrupção de compra de votos para apoiar o governo no Congresso que envolveu figuras do alto escalão —, o Supremo Tribunal Federal, STF, decide esta semana sobre outro tema caro a milhões de brasileiros, que foi o expurgo das cadernetas de poupança, na década de 1990.

O julgamento, 20 anos depois, está marcado para o dia 27, após vários adiamentos, e vai orientar decisões de dezenas de tribunais inferiores que detêm milhares de processos abarrotados em suas gavetas sobre as perdas das cadernetas.

O imbróglio todo se prende ao alvo das ações. É que, como o prejuízo dos poupadores foi provocado pela série de planos econômicos que o governo lançou mão para combater a hiperinflação à época — Planos Collor I e II, Bresser etc — , o Estado, no entender de analistas, é que deveria ser processado.

Se a decisão for favorável à correção dos valores, no entanto, vai sobrar mesmo para as instituições financeiras. No caso, os bancos terão que desembolsar bilhões de reais para ressarcir quem tinha conta em poupança no período.

Pelo sim, pelo não, a determinação de mandar pagar muitos anos anos depois a milhares de trabalhadores valores correspondentes ao prejuízo que tiveram com os expurgos de uma política econômica destrambelhada, soará como mais uma vitória da sociedade.

Como no caso dos mensaleiros, a justiça vem tarde mas não falha.