Por bferreira
Rio - Apesar do expansionismo evangélico, o Brasil continua sendo a nação de maior população católica do mundo e, paradoxalmente, um país de pouquíssimos santos – apenas dois, para ser exato: Frei Galvão e Madre Paulina. Na fila das beatificações e canonizações temos mais de uma centena de brasileiros: do histórico José de Anchieta à carioquíssima menina Odetinha, que no início do ano ganhou a condição de Serva de Deus e está em processo de ser beatificada.
Mas todos eles têm em comum a desvantagem de minguada devoção dos fiéis. Exceção à regra, só mesmo o Padre Cícero Romão Batista, que já foi santificado pela vox populi, embora a Igreja Católica ainda engatinhe no processo de reconciliação com ele. Padim Ciço, em número de devotos, está em pé de igualdade com os ‘santos do primeiro time’, vamos dizer assim, como São José, Santo Antônio, São Sebastião, São Judas Tadeu etc. E nem como beato ele já foi reconhecido pela Igreja.
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Aliás, existe um dado muito interessante na santidade do Padre Cícero que merece ser divulgado e objeto de reflexão. São Bernardino Realino, italiano que viveu de 1530 a 1616, é considerado o único na história dos santos que ainda em vida se tornou padroeiro de uma cidade – Lecce, na Itália. Ele só foi canonizado muito tempo depois, em 1947, pelo Papa Pio XII.
Padre Cícero é o fundador da cidade de Juazeiro do Norte, no Cariri, no Ceará. Cidade que cresceu e se desenvolveu por força da devoção que a ele é dedicada. Além de padroeiro de Juazeiro, ele também é consagrado como padroeiro do Nordeste. E, repita-se, oficialmente sequer beato ele é.
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Enfim, se é verdade que temos poucos santos brasileiros, também é verdade que temos no Padre Cícero um exemplo singular da força da veneração popular. Seria muito bom e oportuno que o Vaticano se lembrasse disso.
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Advogado e escritor