Por bferreira
Rio - Com a proximidade das fortes chuvas de verão, todos os esforços do poder público para evitar as tragédias das tempestades são muito bem-vindos. Ninguém suporta imaginar que hecatombes como a que dizimou mais de mil pessoas na Região Serrana, em 2011, possam se repetir. Mas é preciso atentar para os reflexos que ações como a megassimulação de ontem poderiam trazer e trouxeram, em pleno expediente de sexta-feira, instalando uma balbúrdia que parou a cidade.
É louvável que a operação nas 88 cidades do estado tenha tido a participação de cerca de 400 mil pessoas, com auxílio de bombeiros e agentes da Defesa Civil. Demonstra a estreita colaboração da população para ajudar a afastar ameaças de novas tragédias com as chuvas. Mas precisava incluir a evacuação ao mesmo tempo de mais de 200 prédios, muitos deles no centro financeiro do Rio, em horário comercial, sem mensurar os prejuízos que a medida acarretaria?
Publicidade
Não. Mais uma vez, faltou planejamento. Faltou a preocupação dos responsáveis pela megaoperação com os impactos que a medida causaria ao fluxo do trânsito da cidade, já tão solapada com os percalços da demolição do elevado da Perimetral e tantas obras para implantação de corredores expressos.
O Rio não pode a toda hora sofrer com transtornos provocados com a aparente banalização da paralisia. Ora por obras mal planejadas, ora por meia dúzia de manifestantes, ora com ações como a de ontem. Os treinamentos são importantes para salvar vidas. Mas a cidade inteira não precisa parar por isso.
Publicidade