Por bferreira

Rio - Muito se fala na importância da inovação na educação com o objetivo de instigar os jovens. As atividades escolares que envolvem os adolescentes num processo colaborativo de produção, em que eles fazem parte do próprio processo de construção do conhecimento, parecem ser as mais positivas. Há dois anos, tenho tido a oportunidade de acompanhar o projeto História Viva, desenvolvido por professores de História, Sociologia e Filosofia, no terceiro ano do Ensino Médio, do Colégio Estadual José Leite Lopes – Núcleo Avançado em Educação (Nave), no Rio.

Pela proposta, o estudante é convidado a escolher um personagem histórico que mais lhe agrada. Feito isso, ele precisa conhecer vida e obra da personalidade, justificando a opção do ponto de vista sociológico, filosófico e histórico. O personagem é pesquisado a partir dos contextos e conceitos trabalhados por cada uma das três disciplinas. Em pauta, por exemplo, o papel do Estado na vida de cada personagem e a relação dele com o pensamento da época.

Mas o trabalho não se resume apenas na entrega de um relatório escrito sobre essas questões. Vai além: os adolescentes precisam incorporar os personagens no sentido de dar vida a cada um deles. Num determinado dia, os estudantes interpretam as personalidades. Vestidos a caráter, os alunos dialogam com outros estudantes e professores, apresentando histórias, vivências, ideias e experiências das personalidades. “Uma coisa é fazer uma pesquisa para um trabalho escrito.

Outra é fazer uma pesquisa para vivenciar o personagem. Não dá para copiar e colar, usar o Control C + o Control V”, explica a estudante Gabriela Kleinpaul, de 17 anos.

Acho que a fala da aluna diz tudo. Eis um trabalho que pode ser replicado em qualquer outra realidade escolar, com aproveitamento garantido. A tecnologia pode potencializar o processo, enriquecê-lo, mas não é, de forma alguma, pré-requisito. Um bom exemplo.

Professor e jornalista especializado em Educação e Mídia

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