Por thiago.antunes

Rio - O Brasil tem cerca de 5 milhões de pessoas que vivem em áreas de riscos de desastres naturais. Um campo minado que explode como tragédia anunciada a cada temporada de chuvas torrenciais que se inicia. São números estarrecedores que só tendem a crescer, seja por letargia do poder público em promover uma política paulatina de remoção dessas pessoas, seja por incompetência dos chefes de executivos dos municípios ao fazer vistas grossas às ocupações irregulares do solo.

No Rio, apesar dos esforços do estado na reconstrução, reassentamentos e instalação de sistemas de alertas, o processo é lento e por conta disso milhares de famílias continuam a desafiar a força da natureza. Quase três anos depois, parte dessa população continua a pôr suas vidas em perigo em áreas condenadas da Região Serrana, palco do pior desastre geológico do país, que matou mais de mil, deixou milhares de desabrigados e um rastro sem precedentes de destruição e prejuízos.

Não só nas encostas, o perigo está em todas as partes. Dos 92 municípios do estado, 88 têm áreas de riscos por desmoronamentos e transbordamentos de rios, como O DIA mostrou neste domingo. Com o mapa explosivo de regiões densamente povoadas, espera-se que as autoridades promovam ações pontuais e efetivas para evitar mais mortes com temporais.

A lição da Região Serrana foi dura demais de se aprender. Remover essas famílias em risco, em condições dignas, é o grande desafio que se impõe. É preciso esforço concentrado e conjunto, governos e populações, para que o pesadelo das tragédias das chuvas nunca mais se repita.

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