Júlio Furtado: Estudar nas férias é castigo

A polêmica da reposição das aulas perdidas em função da greve dos professores nos remete a alguns questionamentos

Por O Dia

Rio - A polêmica da reposição das aulas perdidas em função da greve dos professores nos remete a alguns questionamentos. É possível repor aprendizagens usando apenas a dimensão cronológica? O que mais importa, repor dias letivos ou promover ensinamentos? No mundo prático do dia a dia, estão sendo travadas batalhas com o objetivo (impossível) de repor as aulas com algumas horas a mais por dia para evitar entrar em janeiro, já que as aulas em 2014 começarão mais cedo em função da Copa.

Outro caminho também muito frequente no mundo prático é a adoção de trabalhos de pesquisa como estratégia de reposição das lições (ou seria de aula?). Nesse caso, os trabalhos precisam ser muito bem planejados, conduzidos e avaliados para que realmente produzam o resultado esperado.

Entre exigências de que se cumpra cada minuto de aula perdida e o quase consenso de que todos precisam ter férias, colocam-se algumas questões: o cumprimento do programa garante aprendizagem? Aprendizagem é processo que pode ser acelerado? À medida que a educação é um processo encadeado e cumulativo, é necessário resgatar o que ficou pra trás e isso faz com que esse tempo tenda a ser maior do que a simples reposição cronológica. Estudar durante as férias soa como castigo para todos. Isso se opõe à motivação necessária para aprender.

Pensando-se no resgate das aprendizagens, seria mais proveitoso concluir o ano letivo regularmente e garanti-las nas séries seguintes, como parte de um sério replanejamento. A reposição imediata de aulas ocorreria apenas nas séries finais.

O final de ano não é época propícia para resgates. Todos já estão em curva descendente ansiando por um novo reinício. O início de ano, por sua vez, é época de renascimentos, renovações e esperanças, energias muito mais apropriadas ao processo educativo.

Professor, escritor e palestrante