Por thiago.antunes

Rio - Ao fim do ano, nada mais tradicional, além das intermináveis reuniões de jantares e almoços de empresas ou de grupos de amigos, que as premiações de todas as variedades, ordens e gostos. Ao começo, quando ainda nos primeiros dias de novembro, elas são revestidas de certo hálito de originalidade. Quando adentra dezembro, a proliferação de prêmios começa a ficar um tanto monótona, quase uma repetição de solenidades, de discursos, de emoções.

São dezenas os convites e chamamentos, quase todos grifados com um post-scrip intimidador: “Não falte.” Eu, por exemplo, recebo dezenas dessas (sem dúvidas) gentis solicitações. Mesmo não podendo ir a todas, seleciono aquelas que mais me tocam a sensibilidade.

É o caso das premiações literárias. Destaco aqui duas que me causaram especial prazer. E que felizmente foram feitas em novembro. A primeira foi a da União Brasileira dos Escritores, a UBE de tantas lutas em defesa dos escritores.

Presidida por uma adorável figura, a poeta Lucia Regina de Lucena, aliás, uma declamadora de mão cheia, a premiação se deu no auditório do Teatro Raimundo Magalhães Junior da Academia Brasileira de Letras. Dezenas de prêmios foram generosamente distribuídos, contemplando uma variedade de escritores e poetas.

A outra premiação que me sensibilizou foi a da Academia Carioca de Letras, destacando apenas três vertentes da arte de escrever: a crônica, a poesia e o conto. Curioso é que a entrega de prêmios foi antecedida por uma conferência do presidente da Academia, o escritor Nelson Mello e Souza, que esgrimiu palavras e ideias sobre a identidade nacional a partir da literatura de Graça Aranha.

Preciso e brilhante, o sociólogo abriu as premiações não com um aperitivo circunstancial, mas com uma ceia literária. Em resumo, e se me permitem, ouso dizer que o enxame de prêmios de fim de ano se torna prazeroso quando veicula literatura, poesia e beleza.

Presidente do Instituto Cravo Albin

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