Por bferreira

Rio - Sempre haverá tradições que se revelarão em algum momento inconvenientes, em desacordo com o tempo em que vivemos. Cito como exemplo os balões de festas juninas: até mesmo em canções infantis dos nossos avós eles eram citados, e com a parte mais perigosa: “cai cai, balão”.

Depois que, ao longo dos anos, adquirimos a percepção de que os balões, apesar de bonitos, caem e causam incêndios em patrimônios públicos, privados, e, pior, ambientais, evidentemente que esta tradição deixou de ser bem-vinda. E logo, por força de lei e ordem, os balões foram proibidos.

Posto isto, peço ao leitor que reflita sobre o emprego de veículos de tração animal, a popular charrete, na Ilha de Paquetá. Sim, é uma tradição romântica, de tempos de outrora – mas nos tempos que vivemos, o respeito aos animais tem se difundido de forma impressionante. Mudou a percepção. O vereador João Ricardo teve essa percepção quando em março deste ano um cavalo morreu na Ilha de Paquetá após sofrer maus-tratos de seu dono. A proposta do vereador, de proibir o uso destes veículos na ilha, chegou até a Comissão de Representação de Proteção aos Animais.

Nossa comissão foi ao local e constatou que as condições eram extremamente inadequadas. Com isso pudemos ver a importância do projeto de lei, já aprovado em primeira discussão na Câmara dos Vereadores.

É claro que muitos vereadores se manifestaram contra a extinção dos passeios de charrete. Mas até a Secretaria de Proteção aos Animais já concorda com esta medida – já que estes serviços não obedecem a regras criadas por decreto municipale à própria Lei de Crimes Ambientais. E leis são para isto: para que o bom senso tenha força para vencer as tradições que percebemos como falhas. Se é para seguirmos uma tradição, prefiro a da Bíblia, quando diz que o homem bom cuida bem dos seus animais.

Deputado estadual, presidente da Comissão de Defesa dos Animais da Alerj

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