Por bferreira

Rio - O assassinato na Lapa, no último fim de semana, do ex-estudante do Colégio Pedro II, o jovem Conrado Chaves da Paz, de 19 anos, por um suposto morador de rua armado com uma faca, não expôs somente a violência e a falta de ordem pública num dos maiores redutos da boemia carioca. Trouxe também de volta a discussão que envolve questões muito mais sociais do que de polícia.

O Secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, pôs o dedo nessa ferida. Ao admitir que a segurança do bairro fica comprometida pela legião de desabrigados, a maioria viciada em crack, e que polícia só não basta, expõe a letargia do Estado em resolver problema crônico que é o acolhimento dessas pessoas.

Discussão que se arrasta e que traz outros aspectos que dividem o meio jurídico sobre a legalidade ou não do internamento compulsório desses dependentes químicos. Mas enquanto se debate sobre se o viciado em crack pode decidir o que é melhor para si, o problema só se agrava. O exército de dependentes só faz crescer, aumentando a sensação de insegurança nas ruas.

Por isso, é acertada a determinação de reforçar o patrulhamento no entorno da Lapa e no Centro, como O DIA detalha hoje. Como também é louvável a rápida ação da polícia em identificar e prender o suspeito de assassinar o jovem Conrado. São medidas que trazem alento. Mas é preciso, como bem disse Beltrame, atacar as causas. É inadiável a implantação de programa assistencial contínuo que acolha essa população miserável de rua. O debate é importante, mas a urgência requer agir mais e falar menos.

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