Por bferreira

Rio - Vítima da intolerância, Nelson Mandela dedicou a vida a disseminar a igualdade e o respeito entre os povos. Sua cruzada pacifista conquistou a admiração e o apoio de grandes líderes mundiais, que agora afluem para a África do Sul, por ocasião dos funerais do estadista. É justíssima a homenagem, que confirma a nobreza de um dos mais honrados mandatários deste e do século passado. Dentro desse contexto, intriga — mas não surpreende — o curto aperto de mão entre os presidentes Barack Obama, dos Estados Unidos, e Raúl Castro, de Cuba, testemunhado pela presidenta Dilma.

A ilha de Fidel vive uma das mais longevas privações do mundo contemporâneo. Guardadas as devidas proporções, o bloqueio a Cuba imposto pelos norte-americanos é tão venenoso quanto a política de segregação racial que Mandela tanto combateu. Nos dois casos, desmandos de governos — e aqui é importante ver os dois lados das moedas — deixaram milhões de cidadãos com direitos de menos. Na África, negros eram relegados a segundo plano, em detrimento de uma minoria branca. No Caribe, até hoje, cubanos vivem num mundo paralelo, como que paralisado há mais de meio século.

Nações que nem sequer conversavam agora apertam as mãos. Ainda é cedo para conjecturar o fim do embargo, mas é oportuno convocar a obra de Mandela, que deixa um belíssimo legado para o mundo, a fim de desatar os nós das injustiças. Não à toa, a foto de Obama e Raúl correu o mundo e despertou esperanças. Até o apagar das luzes, Madiba clamou pelo fim das desigualdades, que ainda são muitas — mas que, com diálogo, serão enterradas.

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