Por bferreira

Rio - Resignar-se com a calamidade toda vez que chove forte é impor aos cariocas uma prisão perpétua. Desde 2010, não houve um verão que não contasse com intempéries severas. O entupimento da cidade ontem, com corredores expressos travados por horas por causa da água que não baixava, trouxe transtornos e prejuízos gigantescos. Metrópoles modernas vão além de aprender a conviver com desastres naturais: buscam meios de contorná-los. E o Rio precisa evoluir se quiser um fim para a paralisia.

De positivo, importante destacar, é a atenção nas encostas. O sistema de sirenes — medida simples e que exige pouco treinamento — já salvou muitas vidas. A contagem de mortos nesta tempestade está bem abaixo dos números registrados anos atrás, como na Região Serrana e no Morro do Bumba. É obrigação das autoridades tentar levar a taxa a zero.

Da mesma forma, é preciso enfrentar os odiosos bolsões d’água. Sabe-se que ruas inundam desde o Império, mas só agora, quase 200 anos depois, avança-se com a construção de piscinões. É pouco. E assusta ver uma via recém-construída, a Binário, alagar como qualquer outra. Justifica o prefeito que as obras não terminaram e que a drenagem será concluída. Assim se espera, pois não pode, em pleno século 21, vermos a repetição dos erros de urbanismo que tanto empacam a cidade.

Também é urgente cultivar a gestão compartilhada da chuva. Ainda grassa no Brasil o jogo de empurra, com autoridades tentando ficar bem na foto e queimar o filme alheio. A responsabilidade tem de ser múltipla, ou as ações serão inócuas.

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