Jaguar: A paz que nunca teremos

Roberto Dinamite fez um milagre: conseguiu ser pior que Eurico Miranda

Por O Dia

Rio - Detesto pombas, são vira-latas aladas, portadores de doenças e piolhos. Outro dia levei a maior bronca de uma turista americana porque acertei um chute numa que catava migalhas debaixo da minha mesa no Clipper. Mas tenho que admitir: virou o símbolo da paz desde que o gênio do Picasso criou a emblemática e definitiva pomba. Depois dela, vi centenas de milhares de pombas da paz, mas não me lembro de nenhuma mais linda que a da foto de Carlos Barral. O clique exato na fração de segundo exata.

Com a morte de Mandela, a paz parece algo cada vez mais remoto. Sua lembrança contrasta com cenas que revejo mesmo com a tevê desligada: aqueles brucutus assassinos no jogo do Vasco e do Atlético Paranaense. Não foi uma desumanidade, muito pelo contrário, foi uma humanidade, nenhuma fera seria capaz daquela atrocidade. Gelei quando me dei conta de que a partida iria continuar, apesar de todos concordarem que não havia a menor condição — locutores esportivos (que se limitavam a dizer que era um espetáculo “lamentável”), autoridades e cartolas —, a maior parte do público continuou no estádio, melhor dizer arena. Os jogadores estavam visivelmente em pânico, mas não ousaram abandonar o gramado, claro que com medo de perder seus empregos.

Fomos todos hipócritas e cúmplices do crime, inclusive Dilma, que certamente estava assistindo. Por que não pegou o telefone e mandou parar o jogo, prender o árbitro e quem mais fosse preciso? As perguntas que deveriam ser respondidas: como aquele troglodita sanguinário entrou com o porrete com um prego na ponta? Se tivesse cometido o crime na rua seria condenado por homicídio (ou não, neste país tudo é possível), mas na arquibancada é considerado pouco mais que um “torcedor exaltado”. E cadê a polícia?

Roberto Dinamite fez um milagre: conseguiu ser pior que Eurico Miranda. A puxada de tapete que tentou depois do desastre em Joinville para escapar do rebaixamento foi uma das coisas mais repugnantes que este ex-vascaíno que vos fala já viu. E do Madiba, só tenho a dizer, à carioca: esse mandou bem.

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