Marcus Tavares: Sem líderes

Nesta semana, testemunhamos a passagem de Mandela. Perdemos mais um grande ídolo, estadista e revolucionário do século 20

Por O Dia

Rio - Nesta semana, testemunhamos a passagem de Mandela. Perdemos mais um grande ídolo, estadista e revolucionário do século 20 que fez parte da minha geração da época da escola. Lembro-me dos meus professores falando sobre sua importância, vida, força, coragem e valores. Como esquecer? Como não se inspirar? Mandela serviu de exemplo e reflexão para agir por um mundo melhor. Lamento que as atuais gerações não o tenham conhecido, embora possamos e devemos, nós, adultos e professores, resgatar e revistar a história.

Com a morte de Mandela, temos cada vez menos líderes que lutam em favor de uma causa nobre, legítima, sem segundas intenções, interesses e subterfúgios. Não defendo idolatria, submissão ou referência incondicional a uma personalidade. Mas penso e acredito que precisamos de líderes. Líderes que sejam capazes de nos fazer pensar e (re)pensar nossas ações no presente e no futuro por um mundo mais igualitário, justo e feliz.

Hoje temos, no macro, uma legião de políticos e estadistas hipócritas e sem valores. E um sem-número de celebridades, que alcançam, por meio, muitas vezes, da imposição da mídia sensacionalista, da noite para o dia, o patamar de ídolos (seriam líderes?) de gerações. Gerações, cada vez mais, com menos referências e exemplos.

Num exercício em sala de aula, pedi aos estudantes, na faixa dos 15 anos, que escolhessem uma personalidade, um ídolo, um líder mundial que fosse referência, exemplo de vida para criar um roteiro de um curta-metragem. No topo da lista? Cantores, artistas e esportistas. Políticos ou estadistas? Intelectuais? Pensadores? Ninguém. O trabalho provocou muita, muita conversa. E o quanto é difícil, ao menos, provocá-los a pensar diferente!

Mas por que o espanto? Afinal, o resultado deste exercício é ou não é um reflexo da sociedade? Consumista, efêmera, indiferente, pouco solidária e ética. Esses exemplos não faltam. Estão aí, espalhados, estampados, curtidos e compartilhados. Como poderia esperar respostas diferentes? Triste constatação.

Professor e jornalista especializado em Educação e Mídia

Últimas de _legado_Opinião