Por tamyres.matos

Rio - No dia da festa de congraçamento anual do pessoal do jornal, abri uma exceção e fiz a remoção da minha velha carcaça até a gafieira Lapa 40 Graus, do Carlinhos de Jesus, na Rua Riachuelo. O bairro, onde morei entre os anos 60 e 70, mudou de cara. A rua está cheia de bares bem iluminados com uma moçada bonita, mais limpa que o Leblon (a moçada e a rua). Dei sorte porque o motorista do táxi conheceu todas as gafieiras e pés-sujos daquela época; não conseguiu disfarçar o espanto ao me ver ainda na vertical e ainda mais àquela hora da noite indo para uma gafieira.

Dez anos mais moço que eu, tinha uma memória danada. “Sempre fiz ponto em porta de dancings e gafieiras e me lembro de ter levado uma vez o senhor com o Nelson Cavaquinho da Estudantina, na Praça Tiradentes, para Vila Kennedy (onde Nelson — às vezes — morava)”.

A festa do DIA foi ótima e ficou mais animada quando chegou a edição de terça-feira, quando foi lançado o novo formato. Podem me chamar de puxa-saco, mas ficou uma beleza, mais fácil de ler. Engraçado é que a minha charge, que continua do mesmo tamanho, parece que ficou maior do que no tabloide. Pena que eu só tinha uns 10 minutos, porque tinha que acordar às cinco da manhã para fazer turismo hospitalar em São Paulo (uma bateria de exames no hospital Sírio-Libanês).

Abri uma exceção e tomei um chopinho (a ocasião merecia, tomara que meu médico não leia isto), brindando com o Aziz Filho, o Hippertt, a Luísa Bousada e a rapaziada. Como sempre mando meus desenhos e crônicas pela Internet, devido aos já mencionados problemas de ir e vir, não conhecia a grande maioria dos meus colegas. Um garoto (pra mim, todo mundo com menos de 50 é garoto) me cumprimentou: “Era estagiário quando você foi editor da ‘Notícia’, junto com os saudosos Monteirinho e Henrique Diniz. Você — lembra? — trabalhava com uma garrafa de Red Label na gaveta, levava menos de meia hora para bolar a manchete e se mandava para o boteco em frente à redação”.

Ronald Biggs, o bom ladrão, cantou pra subir, depois de tomar todas a que tinha direito. Nunca me esqueço do dia em que o entrevistamos, Fausto Wolff, Rick e eu, para o ‘Pasquim’. Foi há uns 20 anos. Rick foi embora, para tirar a entrevista do gravador, e ficamos os três, sentados num meio-fio em Santa Teresa. Enxugamos duas garrafas de Red Label. Os seus vizinhos, ao vê-lo com aqueles dois gringos de olho azul, devem ter pensado que éramos cúmplices do roubo mais famoso da Inglaterra.

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