Por tamyres.matos
Rio - São reconfortantes as notícias de que o Ministério da Educação está eliminando candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) por tentativa de fraude. Até agora, a lista dos excluídos passa de 1.500, aí incluso o grupo de Minas Gerais exposto esta semana. Confirmados todos os planos de golpe e corrigidas possíveis injustiças contra inocentes, será uma investida séria nunca antes vista dentro da história do exame, repleta de erros, desleixo e desencontros.
Vigilância muito bem-vinda, considerando a envergadura do certame. Quando da aplicação das provas, é bom lembrar, houve um rigoroso esquema para impedir fraudes. Mas elas, ainda que bem pontuais, ocorreram — o que evidencia a inesgotável criatividade de falsários para tentar burlar o sistema e lucrar, evidentemente. Os quase 400 estudantes mineiros acusados de cola no Enem o fizeram por sofisticadas e imperceptíveis escutas, depois que uma ‘banca’ resolveu as questões, vazadas, a toque de caixa.
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Mas nada disso chega aos pés das batatadas cometidas em edições anteriores, como o roubo de cadernos da gráfica e exposição das questões, em 2009, o vazamento de dados sigilosos de candidatos, em 2010, e os critérios esquizofrênicos de correção da redação, ano passado, que deram nota boa a receita de macarrão ou à letra do hino de um clube de futebol.
Prova que o MEC está atento. E isso dá a credibilidade que o Enem sempre pediu, mas só agora está alcançando. O avanço permite que se pense em mais melhorias — e a mais urgente é a aplicação de pelo menos duas provas por ano. Não é justo para o Brasil que a vida de quase dez milhões de estudantes seja definida num único fim de semana.
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Entende-se que o Enem tem proporções continentais, exige um batalhão de colaboradores e medidas de segurança tão rígidas quanto a das eleições. Mas o MEC se mostrou capaz neste episódio das fraudes, tem conhecimento acumulado e pode evoluir cada vez mais.