Por tamyres.matos

Rio - Sabemos, há alguns, anos que o Exame Nacional do Ensino Médio teve sua aplicação com o objetivo de avaliar o antigo Segundo Grau no Brasil. Em pouco tempo, a prova deixou de ser um instrumento avaliador para se estabelecer como comparativo entre as escolas, gerando uma competitividade entre elas e atraindo os olhares das famílias na escolha do espaço para o estudo dos filhos.

Não faltaram as comparações entre as escolas públicas e particulares. Esta última comparação já chega às raias da insensatez porque não há como mudar este panorama com um instrumento de avaliação. Qual a causa? Muito simples: os colégios particulares escolhem seus alunos, e os públicas recebem, na medida das vagas, crianças de todas as procedências, sem poder fazer seleção.

Num segundo passo, mais danoso ainda, dado que o Enem já estava estabelecido, o MEC passou a usar estes resultados para a seleção dos alunos para o Ensino Superior. Se foi uma medida boa por causa da unificação de grande parte desta seleção, por outro lado acabou de vez com a possibilidade de se usar um mesmo instrumento para avaliar o Ensino Médio.

Como as competições continuavam acirradas, e os gestores da Educação não quiseram enfrentar esta realidade de competição porque isso poderia questionar mais ainda a questão da avaliação do Ensino Médio, foi tomada uma medida na qual os resultados seriam divulgados sem o acréscimo da redação.

Pior a emenda, porque sem a redação a classificação pode e costuma ser diferente dos resultados completos. As escolas continuaram competindo com os resultados sem a redação.

Neste último ano tudo piorou porque, na divulgação dos dados, algumas escolas nem sequer apareceram, criando constrangimentos e permitindo questionamentos. A falta de cuidado, no entanto, ao divulgar resultados, criando constrangimentos pelas falhas do sistema que permite que algumas escolas não apareçam, é imperdoável.

Se quiserem acabar mesmo com as competições, basta enviar os resultados para os alunos e para os estabelecimentos, sem gerar comparações. A Educação, para ser eficaz precisa ter tranquilidade.

Este desassossego provocado pelas ondas das competições acaba por tirar a paz de adolescentes já desanimados com vários sistemas e atrapalhando o momento natalino para ser vivido junto aos seus entes queridos. Como está, até os resultados positivos geram dissabor.

Hamilton Werneck é pedagogo e escritor

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