Editorial: Contribuinte paga para ver um país melhor

O Brasil encerra o ano com a marca histórica de mais de R$ 1,6 trilhão em arrecadação. Performance se deve em grande parte ao crescimento de empregos com carteira assinada e da renda dos brasileiros

Por O Dia

Rio - O Brasil encerra o ano com a marca histórica de mais de R$ 1,6 trilhão em arrecadação. E a boa nova é que a performance se deve em grande parte ao crescimento de empregos com carteira assinada e da renda dos brasileiros. Mais dinheiro no bolso dos trabalhadores, sobretudo neste período de festas, significa sinal verde para ir às compras. Comércio e indústria abrem mais vagas, fazendo girar a roda da economia, e o Estado agradece com o recolhimento dos tributos. Contudo, se por um lado o governo faz bem esse dever de casa, evidenciando ainda mais a sua volúpia arrecadatória, por outro deixa a desejar com a falta de transparência. E dá mais gás à insatisfação com o retorno que toda essa dinheirama deveria proporcionar à população com bons serviços públicos prestados, além de ampliar programas para reduzir as desigualdades sociais no país.

O recorde registrado pelo Impostômetro no final da semana passada é o resultado da soma de todos os tributos, taxas e contribuições destinados à União, aos estados e aos municípios, pagos pelos brasileiros. Dinheiro que deveria fortalecer as ações do poder público em prol da população em todas as áreas. Mas ao deparar-se com aumento da violência nas grandes cidades, da crescente população de moradores de rua, das enchentes recorrentes, da falta de saneamento básico em várias regiões, do caos no trânsito e do sucateamento da rede pública de saúde e do ensino, o contribuinte se sente lesado. E chega à fria constatação de que o governo arrecada muito bem, mas continua a gastar muito mal.

E gastar melhor para um campeão de arrecadação é o desafio que se impõe no fim de mais um ano, sempre propenso a balanços. Apesar da turbulência externa, a economia brasileira dá mais uma demonstração de força, com sinais de recuperação interna. Mas é preciso muito mais. Já passa da hora de se criarem mecanismos eficientes e anticorruptíveis que façam com que as riquezas geradas sejam canalizadas a investimentos que promovam a melhoria da qualidade de vida de toda a população. E, para isso, o contribuinte paga para ver, com prazer.

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