Fernando Scarpa: Feliz Natal com você

Vem aquela chuva de convites para passar a noite na casa da família, e pode acontecer de você não estar nem um pouco interessado, porém meio constrangido por não aparecer

Por O Dia

Rio - É Natal, e isso quer dizer muito. Vem aquela chuva de convites para passar a noite na casa da família, e pode acontecer de você não estar nem um pouco interessado, porém meio constrangido por não aparecer para a famosa ceia. Afinal, é a sua família!

Os vínculos já não são lá os mesmos, e os ressentimentos ocorridos ao longo dos anos e em outros natais ainda podem estar presentes na lembrança. Nem sempre os ressentimentos passam com o tempo, não são coisas de momento. Decididamente, você não quer ir. É que a situação de se despencar de casa cheio de bolsas e travessas de comida desanima qualquer pessoa. As companhias, algumas, nem se fala! Ficar em casa à vontade e poder beber sem o risco de ser pego pela Lei Seca é tentador.

Os amigos próximos, aqueles que já romperam com essa relação de domínio, de que o Natal tem que ser sempre na casa de um determinado parente, nos convidam para uma noite interessante, verdadeira. Os presentes são todos queridos, cheios de afinidades que nem sempre encontramos nos nossos familiares. O apelo é sensacional, e a vontade de romper essas normas que acabamos obedecendo, sem nem mesmo sabermos por que, é tentadora e o conflito chega carregado de culpas!

O mal-estar se estabelece bem antes do dia da famosa ceia, em que todos os familiares esperam sua presença — que mais parece demonstração de poder, vontade de ter quórum em casa, do que vontade de recebê- lo. Já pensou nisso, nessa tirania de determinados membros da família? Sim, existe isso. Os obstinados em manter uma suposta tradição no Natal e não admitem a sua recusa, é como uma ofensa. É a dúvida desse período: vai ou não vai?

Anda! Resolve de uma vez essa questão. Há quantos natais você jura para si mesmo que será o último que irá? Rompe com tudo isso, vive essa noite do jeito que realmente quer. Se dê esse presente, pense: o tal parente que sempre foi o dono da festa precisa passar esse dia sem você e você, sem ele. Ajude-o a aprender como é boa a sua ausência, sem as brigas que inevitavelmente aconteciam.

A noite será de paz verdadeira para todos, em especial para você, que, ao escolher o que realmente quer, rompeu uma tradição de brigas e aborrecimentos, proporcionando de verdade um Feliz Natal. Não perturbe você mesmo nem os outros! Fique na sua! Certis? Diria Mussum! Feliz Natal!

Fernando Scarpa é psicanalista

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