Por tamyres.matos

Rio - Guy Standing, professor de Segurança Econômica na Universidade de Londres, publicou em 2011 o livro ‘O precariado, a nova classe perigosa’. O professor analisa os efeitos da crise econômica de 2008 na Europa, que colocou no mercado milhões de jovens desempregados sem esperança de um amanhã melhor. Diz ele: “As altas taxas de desemprego fizeram nascer uma nova classe social em terreno fértil para o surgimento de partidos extremistas liderados por políticos populistas.”

Desenvolvi o trabalho ‘Panorama das eleições de 2010 rumo a 2014’. Ao analisar os indicadores sociais dos 5.565 municípios, isolei 4.689 grotões com menos de 25 mil eleitores. Constatei que os indicadores destes territórios são semelhantes ao de países africanos comandados por oligarquias — famílias — que se perpetuam no poder, hospedadas em siglas partidárias conservadoras.

No Estado do Rio, os municípios da Baixada e de São Gonçalo, somando 2,7 milhões de eleitores — 29% de comparecimento em todo o estado —, apresentam baixos indicadores sociais, consequentes da falta de políticas públicas permanentes em todos os setores de infraestrutura básica para atender a população. O comando político da região também está sob o domínio das velhas oligarquias do passado.

As tragédias das chuvas que destruíram bairros é apenas a ponta do iceberg. Faltam investimentos em transportes públicos que aliviem o sofrimento dos trabalhadores que passam duas horas de viagens para chegar ao trabalho. Priorizar sistemas de transportes integrados poderia ser um dos primeiros passos como política de solidariedade humana. A paisagem vista das janelas dos trens é digna de produção cinematográfica de países em época de pós-guerra.

Na última eleição, o deputado Anthony Garotinho (PR) teve 256 mil votos, correspondendo a 9,5% do eleitorado da região. Com discurso sedutor em linguagem para a população de baixa renda e de nível de escolaridade baixa, desponta nas pesquisas para as eleições de 2014 para o governo do estado. Para completar o quadro, a região é território fértil de manipulação política por líderes religiosos que prometem a felicidade eterna pós-vida através do boleto bancário.

Políticas de transferências de renda e verbas federais emergenciais não são suficientes para resgatar o passivo social deixados pelos últimos governantes. A população da Baixada quer políticas públicas douradoras. Volto ao tema.

Wilson Diniz é economista e analista político

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