Por tamyres.matos

Rio - Nos últimos 400 anos adotamos gradualmente a crença de que a ciência só pode ser construída a partir da ideia de que tudo é feito de matéria. Aceitamos o materialismo e o elevamos à categoria de dogma, ignorando suas limitações em interpretar a realidade. Por outro lado, as atribulações da vida moderna e a condição humana acabam por exigir e provocar o surgimento de uma consciência do mundo que integra mente e espírito.

A natureza divina manifesta-se no Natal, levando-nos a refletir sobre a violência e a paz, a miséria e a justiça social, o individualismo e a solidariedade. Nesse tempo floresce o verdadeiro amor porque Deus-criador deu ao mundo o dom da família. O genial Einstein afirmava: “Se um dia você tiver que escolher entre o mundo e o amor, lembre-se de que se escolher o mundo ficará sem amor, mas se escolher o amor, com ele conquistará o mundo”. Só então percebemos que vivíamos isolados numa terra estranha, sob a influência negativa do materialismo sem qualquer significado espiritual.

No tempo natalino é que se produz o milagre, ocorrência que maravilha ou espanta, efeito no mundo físico que ultrapassa todos os conhecidos poderes humanos ou naturais. Então as pedras deixam de ser objetos pesados e toscos, quase sem vida, para se converter em seres falantes e expressivos. As ruínas perdem sua vestimenta e recobram a majestade e a inteireza ante os olhos que as veem com interesse.

O ar e o vento trazem longínquos perfumes, vozes estranhas nos falam em uma linguagem fora do tempo e do espaço. Os sons não morrem no ar, não desvanecem no tempo. Basta querer ouvir para senti-los, dançando no espaço, repetindo-se milhões de vezes na memória. Tudo se compreende fácil e rapidamente. Nossa solidão termina, e somos capazes de viver a fraternidade, segredo sagrado que é revelado apenas àqueles a quem Ele escolhe dá-lo a conhecer.

Esse momento une transcendência e encarnação pela capacidade de revitalizar o pensamento e a vida, frente à desilusão e ao desencanto. Tudo é diferente, e também nós o somos por algum tempo. Nos lugares, nas nossas casas, em tantas cidades aprendemos a sonhar, banhando-nos nessa força que nos domina, para que possamos levar a magia e o mistério a outros pontos, a tantos lugares obscuros, até naqueles onde o poder divino brilha tão pouco. Essa é a maneira cristã de promover o bem comum, a felicidade de viver.

Carlos Alberto Rabaça é sociólogo e professor

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