Por tamyres.matos

Rio - A imagem de uma frágil Criança na manjedoura que cresce majestosamente e deixa a mensagem de Paz á humanidade nos enche de esperança de tempos melhores e mais justos. O Natal consumerista, onde damos presentes para simbolizar que nos amamos mutuamente precisa traduzir o espírito de Natal, que é de partilha e doação. A imagem de uma Criança Deus em situação de extrema pobreza deve nos levar à reflexão da necessidade da partilha. O reconhecimento de nossos irmãos mais frágeis e marginalizados como nossos semelhantes, e, portanto com direitos iguais, é o verdadeiro espírito de Natal.

A dignidade da pessoa humana, princípio maior de nossa Carta Magna, também nos leva a essa reflexão de igualdade de todos os cidadãos perante a lei. Mas essa não é a realidade tal qual a sonhamos. Ainda há muita distância entre os que têm seus direitos respeitados e os que os têm violados. Enquanto festejamos o Natal com nossos familiares, muitos irmãos seguem marginalizados presos aos preconceitos que nos diferenciam pelo gênero, etnia, preferências sexuais ou classe social. Muitos são os sem teto, sem trabalho, sem respeito, sem dignidade.

O Natal deve ser uma festa de confiança e esperança que se renova e supera a incerteza e o pessimismo. E a razão dessa esperança é a certeza de que Deus está conosco e aumenta nossa confiança de atingirmos nosso desiderato de construir uma sociedade mais justa e humana, onde a violência seja estancada e possamos nos aproximar dos diferentes segmentos sociais, garantindo a todos, sobretudo às crianças, ser em processo desenvolvimento e credores de proteção integral, o acesso a todos os seus direitos fundamentais.

Que a imagem do Presépio nos inspire para fazer da alegria do Natal um motivo de generosidade para com os mais pobres e frágeis e acolher a todos os que nos cercam como nossos semelhantes, para que possamos tornar realidade os sonhos impossíveis, já que quando se acredita que o poder realizador está dentro de nós, e quando se descobre esse poder, algo que antes era considerado impossível, se torna realidade.

Siro Darlan é desembargador do TJ e membro da Associação Juízes para a Democracia

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