Cyro Garcia: O último golpe do Cabral

Atual governador do Rio receberá de natal um substantivo aumento de salário

Por O Dia

Rio - Embora tenha a terceira pior avaliação entre os governadores, Sérgio Cabral recebeu um aumento de 1.200 reais no salário que recebe para exercer sua função. Depois de mais um ano marcado por escândalos de corrupção e violência, depois de agredir professores, prender jovens estudantes, assassinar Amarildos, andar de helicóptero às custas da população, em suma, depois de novamente ratificar sua incapacidade de governar o Rio de Janeiro, Cabral receberá de natal um substantivo aumento de salário.

Enquanto isso, o Congresso Nacional aprovou o orçamento do país para 2014 reajustando o salário mínimo em 46 reais, de 678 para 724 reais. Ora, é mais um golpe que os governos aplicam no povo trabalhador deste país. Àqueles que trabalham, as migalhas; aos corruptos, a bonança. Nada disso, contudo, é surpreendente.

Os partidos que se alternam no poder, eleição após eleição, sempre vão agir em defesa de seus interesses. Fazem concessões aos aliados, premiam-se mutuamente, defendem-se da opinião pública. Nunca é demais, a propósito, lembrar da mensagem de Cândido Vaccarezza, deputado federal pelo PT, a Sérgio Cabral quando este era investigado pela CPI do Cachoeira: "não se preocupe, você é nosso e nós somos teu". Assassinaram a gramática e a CPI, e Cabral provavelmente foi, de helicóptero, com a família e o cachorrinho, comemorar o resultado em alguma pizzaria do Leblon.

O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado é um partido diferente. Embora não tenhamos ilusão de que as eleições podem efetivamente acabar com as injustiças deste país, somos o único partido que tomou parte na ação promovida pela OAB que questiona, no STF, o financiamento privado das campanhas eleitorais. Defendemos a medida no tribunal e reafirmamos que nunca, em nenhuma hipótese, aceitaremos dinheiro de qualquer empresa, nunca submeteremos nossos grandiosos ideais aos interesses particulares das minorias deste país.

Cabral, Eduardo Paes, sua aliada Dilma e demais figuras da política brasileira nunca poderão atender às necessidades dos trabalhadores do Brasil. Por isso, em 2014, será preciso, muito mais que ir às urnas, ir às ruas, para impedir que fatos como o aumento de Cabral ou o irrisório reajuste do salário mínimo, além dos gastos exorbitantes com uma Copa do Mundo proibida ao povo pobre e trabalhador, sigam estampando as capas dos jornais. Eles que se preparem, porque em 2014, será muito maior!

Cyro Garcia é presidente do PSTU-RJ