Por tamyres.matos

Rio - O novo salário mínimo no Brasil, de R$ 724, confirmado pela presidenta Dilma Rousseff esta semana, começa a vigorar no primeiro dia de 2014, mesmo ano em que o real vai completar 20 anos de existência, e é a primeira boa notícia do novo ano. O valor do mínimo brasileiro ainda está longe do ideal e do que ganha a classe trabalhadora em vários países, sobretudo os desenvolvidos.

Mas é o que se pode pagar por enquanto — pelo menos no discurso da equipe econômica — e já bate os 300 dólares americanos, três vezes mais o valor equivalente aos 100 dólares pretendidos há décadas por governos, num período em que a hiperinflação estraçalhava salários, empregos, sonhos e a autoestima do povo brasileiro. Mas se o país fez bem as lições de casa e venceu o dragão inflacionário neste período com reajustes reais à maioria dos trabalhadores, foi reprovado com a falta de investimentos na infraestrutura, como construção de ferrovias, estradas, portos e aeroportos, além da ausência de programas voltados para a melhoria da saúde e da educação.

Mas a trajetória de recuperação do poder de compra do mínimo não deixa de marcar a consolidação da economia brasileira e da força de sua moeda nessas duas últimas décadas. De lá para cá, foram muitas as conquistas da sociedade. As classes ‘C, ‘D’ e ‘E’ viraram estrelas da companhia no mercado de consumo e deram gás às indústrias nacionais em momentos de turbulência externa, contribuindo ao menos para evitar a estagnação do setor.A estabilidade econômica e o crescimento da renda nacional também permitiram que milhares de brasileiros saíssem da linha da miséria, apoiados por programas assistencialistas de governos.

Enfim, o novo salário mínimo na era do real é uma conquista do povo brasileiro. Mas ainda é pouco para um país continental e de tantas possibilidades e potencialidades. E o primeiro passo para que os trabalhadores recebam salários condizentes é o governo investir com seriedade em educação de qualidade para todos.

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