Por tamyres.matos

Rio - Estacionar no Rio está mais caro que parar o carro em São Paulo — metrópole tida como purgatório dos motoristas, cuja imagem é a de cidade lotada de garagens e constantemente engarrafada. Mas reportagem que O DIA publica nesta sexta-feira ajuda a desmanchar este estereótipo, em detrimento do que acontece aqui. Diárias em estacionamentos particulares em Copacabana, por exemplo, chegam a custar R$ 70, 30% a mais que no ano passado — um aumento estratosférico se comparado à inflação. O valor das mensalidades subiu com a mesma voracidade no Flamengo. Na média, registram-se ajustes de até 20% nessa modalidade.

Tamanho apetite evidencia um fenômeno preocupante: o carioca está cada vez mais motorizado. Donos de garagens agradecem e seguem à risca a cartilha da oferta e da procura — não é apenas a ganância que rege a escalada de preços. As tabelas nas alturas, porém, são só uma face da moeda. A outra, enxerga-se no trânsito. Congestionamentos causados por lacônicos “excessos de veículos” têm sido bastante frequentes. Como O DIA mostrou mais de uma vez, tráfego pesado não só irrita, como também traz prejuízo.

Obviamente que o transporte público tem grande peso nessa conta. Se funcionasse a contento, muita gente pensaria duas vezes antes de tirar o carro da garagem e se deslocaria nos modais oferecidos. Eles falham, no entanto: o metrô se expande lentamente e cobre apenas uma fração do município; os trens sofrem com panes quase que diárias; os ônibus, apesar das boas ideias do BRT e do BRS, são alvo constante do descontentamento dos passageiros.

Mas há um dilema. Os meios de transporte falhariam menos se houvesse menos automóveis entulhando as ruas? Não seria o caso de dar um voto de confiança e apostar em benefício mútuo? Especialistas sugerem que o boicote seja uma arma eficaz para conter a insanidade dos preços dos estacionamentos. Não é só esse o ganho se houver uma mudança de atitude. A cidade vai respirar melhor.

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