Por bferreira
Rio - Não existe mágica na mobilidade urbana: metrôs não brotam no solo da noite para o dia, e engarrafamentos não desaparecem com um estalar de dedos. Melhorar substancialmente o deslocamento de milhões de cidadãos exige tempo, dinheiro e, em metrópoles entulhadas como o Rio, transtornos. Mas existem meios engenhosos e simples para minorar o sofrimento das pessoas. Um deles, como O DIA mostrou ontem, é escalonar o horário comercial e conceder descontos fora dos horários de pico.
A medida, proposta pela Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do estado, tem enorme potencial para desafogar o trânsito, sem, no entanto, atrapalhar muito a rotina dos cidadãos. Hoje, o ‘expediente único’ espreme milhares de veículos em dois períodos do dia. O ‘rush’ parece ficar cada vez maior, irritando passageiros e motoristas — e sobretudo empobrecendo a cidade.
Publicidade
Engarrafamentos custam caro; a Firjan estima em R$ 27 bilhões o prejuízo anual no Rio com as vias entupidas, como O DIA mostrou em outubro. A conta levou em consideração apenas as horas de trabalho desperdiçadas nos congestionamentos — há quem torre duas horas em cada deslocamento; mas as perdas vão muito além. Os nós nas estradas encarecem fretes, poluem o ar e minam a disposição de qualquer um.
Empresas que já fogem do horário comercial, ajustando o expediente em uma ou duas horas, colhem bons resultados. Funcionários chegam num ânimo totalmente diferente. Rendem muito mais no trabalho e não demoram uma eternidade para voltar para casa.
Publicidade
São ideias como essa, somadas às intervenções cirúrgicas como o BRT e o BRS, que ajudam a desafogar a cidade. Elas permitem que a metrópole respire e espere por necessárias obras maiores no transporte de massa.