Aristóteles Drummond: Rio energia

O Rio, nas últimas décadas, tem perdido posição de destaque em atividades em que chegou a formar tradição e a dispor de bons quadros de pessoal qualificado

Por O Dia

Rio - O Rio, nas últimas décadas, tem perdido posição de destaque em atividades em que chegou a formar tradição e a dispor de bons quadros de pessoal qualificado. Assim foi com o nosso Porto, que foi grande exportador de café e hoje não movimenta nem uma saca. Assim como o mercado financeiro, em que a Bolsa fechou e, atualmente, está concentrada em São Paulo, para onde o câmbio da mesa do Banco Central também foi.

Sobraram as referências na energia, e não apenas pela produção do petróleo na costa fluminense. É a Petrobras, com sua sede e centros de pesquisas, a distribuidora BR e as privadas, como a Shell-Raízen, os polos de Duque de Caxias e o futuro Comperj, os escritórios da maioria das empresas que atuam no offshore.

No setor elétrico, a Eletrobrás, incluindo sua importante subsidiária, Eletrobrás-Furnas, padrão na tecnologia e de presença internacional. Na gestão, a tradição da Light e subsidiárias como a Esco, responsável por estudos na área da tecnologia no setor da distribuição, a Neo-Energia e a Energisa. Perdemos foi no setor sucroalcooleiro, no norte do estado, onde chegamos a produzir dez milhões de toneladas de cana e, hoje, não chegamos a três. E a região deu dois governadores seguidos...

É importante, neste mundo que se abre com as novas descobertas, que o Rio mantenha a posição de liderança, uma vez que o setor emprega mão de obra bem remunerada, ajudando a manter o padrão do mercado consumidor e a renda do estado. Os aeroportos, incluindo o de Cabo Frio, portos e estradas precisam estar à altura desta condição. E os centros acadêmicos, na formação da mão de obra de níveis Médio e Superior, aproveitando o número suficiente de entidades de ensino existentes, tanto público como privado.

A indústria naval, que foi quase toda fluminense, vem voltando a atuar, embora sem o percentual na produção nacional do passado. É vocação que ressurge não só importante no setor do petróleo, como na metalurgia.

Nesse contexto, foi importante a solução societária do Porto do Açu, no Norte Fluminense, que provocará grandes investimentos no seu entorno, a serem contemplados com satisfatória oferta de energia elétrica. A região acaba de ver adiado um de seus melhores projetos, a usina hidrelétrica de Itaocara, que foi devolvida à Aneel em função da perda de quase quatro anos de sua concessão por inacreditáveis exigências ambientais. Daria empregos, pagaria royalties a municípios pobres, criaria um lago de grande atração para o turismo e o esporte náutico. E atenderia o meio ambiente, cuja maior agressão é a pobreza. Mas continua nos planos da Aneel sua licitação com o projeto aprovado, que espera-se seja definitivo.

Jornalista

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