Por bferreira

Rio - Na última roda no Renascença, do Samba do Trabalhador, a presença do ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, me convenceu: é necessário compor uma retrospectiva pra essa coluna. A verdade é que, desde o dentifrício Crest ou o perfume argentino Vitess, listar os melhores paladares, eventos ou supérfluos fundamentais serve de uma boa salvaguarda na inspiração dos primeiros dias do ano, ainda mais quando o espumante ainda borbulha na tua cabeça.

Perlages à parte, o Rio deu show no quesito gastronomia de bar. O melhor bolinho de arroz do mundo, incluindo as intervenções japonesas com seus sushis esculturais, você só encontra no Momo, pé­sujo tijucano. A cada mordida, um sabor de passado onde nada era desperdiçado (me distraí lembrando a torta de pão da minha avó, dos legumes empanados no ovo), um prazer tostado na frigideira em crosta, pra jamais grudar no fundo.

O alho temperado da Adega Pérola, o culpado por beijos negados, foi outra bela descoberta. Sou do tempo em que alho e azeite português, só em festa de rico, por isso o merecido destaque.

No Sat’s, o galeto de Copacabana, o coração da passarinhada corre por fora à margem do prato principal, provocando emoções no hemograma completo. O bendito pão, besuntado de manteiga, e, novamente, dentes de alho, fecha a tampa.

Pinceladas inesquecíveis, tanto os milanesas do Bar Barata Ribeiro, a rabada na feijoada do Jorge Ferraz quanto a farta carne seca do Lord Bar, no Centro, permanecem únicos a cada ano.

Ano que termina sem a Perimetral e o lutador quase perneta sublinhou que discutir futebol exigia um vasto conhecimento da toga. Foi­se o tempo de embaixadinhas. A bola e os dribles não são artigos de luxo, mas de leis. Enfim...

Um calor de urucum mudar de cor... chegou 2014. Se eu soubesse jogar búzios, apostaria no favorito pra conquistar a Copa. Pra não arriscar, prevejo os aeroportos voando pelos ares, os táxis não subindo Santa Teresa e o coco gelado, quente e vendido em dólar, já com o novo imposto em vigor.

Vão me chamar de pessimista. Acontece que eu sou do samba, estado que agoniza, mas não morre. Não como mel de abelha, meu negócio é a abelha.

Jogamos flores pra Iemanjá, engasgamos com lentilhas e romãs, pulamos sete ondas e entramos o ano com o pé direito. Mesmo pra quem já o atolou na jaca, banho de sal grosso, chá de boldo e vamos em frente que atrás vem gente.

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