Wadih Damous: De novo, a tragédia da chuva

Todos se lembram da tragédia que representaram as chuvas na Região Serrana no verão de 2010/2011. Foram mais de 500 mortos

Por O Dia

Rio - Todos se lembram da tragédia que representaram as chuvas na Região Serrana no verão de 2010/2011. Foram mais de 500 mortos. Na época houve muitas promessas de investimentos em obras de prevenção, feitas por autoridades de diferentes níveis. Posteriormente, o assunto só voltou às manchetes dos jornais nas páginas policiais, quando autoridades foram acusadas de malversação dos recursos enviados para a região.

Agora, o Rio e a Região Metropolitana estão com seis mil desabrigados pelas chuvas de verão, que começaram em dezembro. São milhares de famílias pobres que perderam tudo o que tinham e ficaram ao relento.

O governador Sérgio Cabral responsabilizou seus antecessores: “São 30 ou 40 anos de abandono”, afirmou. Segundo ele, de sete anos para cá, período em que está à frente do governo, estão sendo tomadas providências para reverter a situação, mas os resultados demoram a aparecer. Pode ser.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, deu declarações contraditórias. No primeiro dia de chuvas fortes no fim do ano passado, ao mesmo tempo em que afirmou que a situação estava normal, pediu que as pessoas ficassem em casa na medida do possível. Depois, prometeu multar a concessionária responsável pela construção da Via Binário, inaugurada no início de novembro em grande estilo, e transformada num verdadeiro rio com as chuvas. Depois, soube-se que, certamente por razões políticas, a via tinha sido inaugurada sem que o sistema de drenagem estivesse concluído.

Estamos apenas no início do verão. É de se esperar novos temporais, como, aliás, acontece todo ano.

Como as obras de desentupimento de bueiros, dragagem de rios e construção de defesas em encostas não são muito visíveis, tendem a ser desprezadas pelos governantes. Elas só são lembradas quando tragédias mostram que não foram executadas a contento. É o que tem acontecido na cidade.

É oportuno, então, lembrarmos um projeto de lei, preparado pela OAB/RJ quando estávamos à frente da entidade, responsabilizando criminalmente autoridades omissas na prevenção de catástrofes climáticas. Esse projeto foi levado ao Congresso no primeiro semestre de 2012, após a calamidade que atingiu a Região Serrana.

A esse projeto não foi dada pelos parlamentares a atenção que merecia. É hora de apressar sua tramitação. São vidas humanas que estão em jogo.

Presidente da Comissão da Verdade do Rio e da Comissão de Direitos Humanos da OAB

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