Por thiago.antunes

Rio - Um dos desafios do Plano Nacional da Educação é a meta nove. Ela prevê “erradicar o analfabetismo absoluto e reduzir pela metade o analfabetismo funcional; até 2015 o analfabetismo absoluto deverá cair de 8,7% para 6,5%”. Para atingir a meta, três milhões devem ser alfabetizados até o fim de 2015. A taxa de analfabetos funcionais deve cair de 18% para 9% em dez anos — portanto, até 2024.

Trata-se de um desafio difícil de ser vencido por uma série de razões: na primeira, espera-se que tão logo os deputados retornem ao trabalho, a Câmara Federal vote o projeto, que chegou do Senado. Qualquer atraso na votação atrasará o tempo estabelecido para a meta; na segunda, é importante observar que os estados e municípios que trabalham diretamente com a erradicação do analfabetismo têm até um ano para adequar o 2º PNE à realidade de cada um. O mais provável, se tudo der certo, é que a meta seja atingida ao fim de 2016!

Mas não se trata apenas desses dois problemas para a implantação dos meios para chegar lá. Os analfabetos brasileiros estão concentrados em dois pontos: metade entre os maiores de 50 anos, e a outra metade no Nordeste. Preocupam os últimos dados, que dão conta de ligeiro aumento de analfabetos no país nos últimos anos. Se persistir esta tendência, chegará 2024 com fracasso. 

Para que o objetivo seja alcançado, todos os passos devem ser ajustados nos estados brasileiros. A Educação não pode produzir novos analfabetos funcionais, mas nós sabemos que estão chegando muitos alunos ao fim do Ensino Fundamental sem saber ler e compreender um texto. Bastam as observações e análises dos resultados do Pisa, por exemplo, e, do Ideb.

Enquanto o 2º Plano Nacional da Educação espera chegar a esta meta em 2024, nós nos perguntamos diariamente se este plano conseguirá ser aprovado em 2014, se o nosso sistema continuará ou não produzindo analfabetos funcionais e, por fim, depois de estabelecermos que Paulo Freire é o Patrono da Educação brasileira, por que o seu método não é aplicado para alfabetizar sobretudo os adultos? Nós temos um modelo que teve êxito em vários países e não conseguimos usá-lo. Por que será? Diante de tantas dúvidas, resta-nos aguardar com grande esperança os resultados.

Hamilton Werneck é pedagogo e escritor

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