Por tamyres.matos

Rio - São muito positivas as recentes investidas da Agência Nacional de Saúde Suplementar contra as operadoras de planos, em benefício da população. Entre as medidas, destacam-se suspensões da venda de seguros nas empresas que não cumprem deveres básicos e constantes ampliações na cobertura e nos serviços mínimos prestados. O ano começa com mais uma extensão mandatória: 50 novos procedimentos e 37 novos medicamentos, dentre os quais sobressaem os destinados ao tratamento do câncer, em diferentes manifestações. É, de fato, uma excelente notícia para os quase 60 milhões de brasileiros que contrataram algum plano.

O rigor com que se exige das operadoras, porém, contrasta com a realidade da rede pública. No caso do câncer, por exemplo: é longo o caminho a percorrer entre o diagnóstico e o início do tratamento. A despeito do comprometimento e da excelência do Instituto Nacional do Câncer (Inca), é necessário encaminhamento para uma das unidades. Ser atendido, conseguir realizar todos os exames e obter a recomendação requer tempo — e nem sempre o paciente dispõe disso. O combate a tumores é, de fato, ramo da medicina bastante especializado. Mas não ajuda a centralização: veem-se, na Praça da Cruz Vermelha, veículos e ambulâncias de todos os cantos do estado. Outro obstáculo.

Se 60 milhões têm algum tipo de plano de saúde no Brasil, uma simples conta revela que 140 milhões dependem da rede pública. Problemas que se consertam com multas e suspensões nos serviços prestados nos hospitais privados ficam sem solução imediata no SUS. Internação garantida, por exemplo: é uma via-crúcis passar da triagem nas invariavelmente lotadas Emergências.

A classe médica, seja na iniciativa privada ou na rede pública, é majoritariamente comprometida com o paciente e preocupada com a excelência. O problema reside na estrutura dos serviços. Planos de saúde podem ser adestrados na marra. E o SUS? Como resolver um cipoal de mazelas?

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