Por thiago.antunes

Rio - Não é concebível, em pleno século 21, parte considerável da metrópole sofrer com torneiras secas. É um mal cíclico, de todo previsível, mas que a cada verão torna a se abater sobre milhares de pessoas. Ainda que se releve que esta estação está mais inclemente que as anteriores, é inaceitável a desculpa de que secas pontuais sejam algo inevitável. Ainda existe uma oferta de água robusta capaz de atender à grande demanda desta época. Diante desse quadro, é promissora a notícia do investimento de R$ 200 milhões para resolver o desabastecimento em locais historicamente críticos, como a Zona Oeste.

As obras preveem a construção de reservatórios e melhorias na rede. Espera-se que isso baste. Estivesse o Rio num quadro crônico de estiagem, até justificavam-se as torneiras vazias. Não parece ser este o caso.

A falta d'água frequente em época de temperaturas acima dos 30 graus praticamente 24 horas por dia, traz transtornos a reboque. Um é a dependência de carros-pipa, que mesquinhamente lucram, alheios à condição de quem os contrata — o golpe foi alvo das autoridades, meses atrás; outro é o efeito colateral do consumo de água de procedência duvidosa. Fornecê-la é uma questão de saúde pública de primeira necessidade. Obrigar o morador a buscá-la sem as mínimas condições de higiene é pegar uma promissória a ser cobrada não muito tempo depois num hospital do SUS.

É preciso aprender a levar água para todos. Mas mais primordial é saber gastá-la, sobretudo porque a oferta tende a cair nos próximos anos. A escassez é realidade em muitas partes do mundo, mas nem isso é capaz de estancar o desperdício e o consumo desenfreado por alguns setores. O dever de casa, portanto, tem de ser feito em duas fases. Uma é consertar os erros na distribuição e não criar ‘refugiados’ da água. Outra é tornar mais racional a produção e o gasto. Do contrário, muito em breve torneiras secas serão cena comum e regra.

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