Por thiago.antunes

Rio - Não falar mal de quem sai. Atitude tão nobre e rara. É praticá-la e não trair sua elegância. Ficar bem com você, guardar seus pensamentos mais feios. Ninguém gosta de coisas tão feias assim dentro de si. Deixa aquietar e sumir. Comentar por trás ou fazendo caras e bocas ao lado do alvo da crítica também é embaraçoso. Você está diante do interlocutor e a pessoa ao lado dele acha péssimo tudo o que ele diz. Como está de lado para a pessoa e de frente para você, dispara um revirar de olhos e bicos retorcidos, querendo a sua anuência.

Você vê a cena e teme concordar refletindo as caretas da pessoa. Olha rapidamente e de volta pro interlocutor, tentando se concentrar para não reagir, não demonstrar que o outro o está detonando. É comum isso acontecer e eu tento não tirar os olhos de quem está falando comigo, para não correr o risco de compactuar com a crítica veladamente.

Comentar pelas costas é outro ponto da lista de comportamentos semelhantes de trairagem. Estão todos conversando, concordam com tudo ou acenam com “ahn-ran”. E então a pessoa sai e o outro começa: “Não aguento fulano. Como ele diz isso e aquilo? Que pessoa sem noção! Não dá!” Se acha isso, por que não expressou opinião diante do julgado?

Está certo que em certas discussões não vale comprar a briga, ou você simplesmente não quer que o outro saiba o que você pensa. Aí calar-se é um recurso. Mas não é o melhor dar sua palavra apenas quando quem não concorda com você sai. Calar-se é calar-se. Depois você expressa sua opinião para um amigo mais íntimo.

Num grupo de bar, o esporte favorito é falar mal de quem não está. “Se eu não for, vocês vão falar mal de mim?” “Claro!”, respondem, para garantir sua presença. Mas aí é só levar na esportiva para combinar com o clima. É um falar mal positivo, entre conhecidos que se amam, como naqueles casos em que a gente só brinca e põe apelido em quem gosta.

Também há as situações de crítica a você expressa diretamente, porém indiretamente. Alguém fica checando o que você faz e conferindo item a item, se está de acordo com o que ele quer. “Eu não quero me intrometer, mas você fez desse modo que eu sugeri? Porque é o melhor.” Aí você responde que está feito e a pessoa vai conferir, para poder criticar.

“Não que eu queira criticar” (já criticando). É o vaselina, o escorregadio, que fala tudo sorrindo ou calmamente, para deixar claro que não quer entrar em atrito (apesar de ter entrado). Seja como for, a maledicência envenena. Na dúvida, melhor não morder a língua.

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