Por thiago.antunes

Rio - A televisão anuncia que o verão vai ser espetacular. O Cirque du Soleil está na cidade e anuncia ingressos com preços espetaculares. As contas que chegam junto com o ano novo também apresentam números espetaculares. Pelo visto, vai ser mais um ano de contas na ponta do lápis, de manobra espetacular para fechar o mês. Alias, espetacular é mesmo a palavra adequada a este nosso tempo. No bom e no mau sentido. Na violência contra as mulheres, na violência urbana, no chocante episódio da menina queimada no Maranhão, nas várias faltas d’água e de luz em muitos pontos do Rio. Tudo parece fora de propósito.

O ano começa exagerado. Pior pra quem é atento e se choca com a maldade humana. Às vezes eu queria ser distraída, por exemplo, como o Procon do Rio, que só esta semana, depois do acidente que vitimou uma menina argentina, foi ao Galeão e descobriu que aquele aeroporto é um forno. Com a falta d’água acontece igual. É como se não existisse até a televisão mostrar insistentemente, exaustivamente.

E nem assim a questão se resolve. Eu não quero desanimar os otimistas, mas o Santos Dumont também é um forno. Assim como o Fórum do Rio. É claro que não sou distraída a ponto de não perceber que estamos no verão, um verão espetacularmente quente. Mas a estação se repete todo ano, na mesma data, e o Rio sempre foi muito quente.

Não seria o caso de se organizar para a chegada do verão? Não seria o caso também de se adequar o guarda roupa de quem trabalha nestes lugares? No mundo da Justiça, por exemplo, será que todos precisam estar mesmo de terno e gravata? Não sou estilista nem entendo de moda, mas acho que deve haver um jeito de manter a ordem e o respeito com uma roupa mais leve, mais própria para a estação. E os seguranças que ficam nas portas das lojas de rua, e de alguns hotéis, de terno preto e gravata? Para que este sofrimento todo?

É necessário para quem? Falta um estilista arrojado ou um empresário mais humano para dar o pontapé inicial neste processo. Também sei que não dá para liberar geral porque tudo que é deixado a cargo do bom senso pode desandar, porque bom senso é um conceito muito amplo e pessoal. Alias, um bom exemplo de falta de bom senso é a lista de compras da governadora do Maranhão, um estado pobre e cheio de problemas.

Como é que ela se dá ao luxo de comprar, entre outros itens, 80 quilos de lagosta, uma tonelada e meia de camarão, 750 quilos de patinha de caranguejo, duas toneladas de peixe e cinco de carne, 2.500 litros de refrigerante, 80 quilos de sorvete e 108 mil reais em ração para peixe? É uma compra espetacular em qualquer momento, e pior ainda num momento destes, de presídios e de gente em chamas. É ou não é um espetáculo de mau gosto?

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