Magno de Aguiar Maranhão: E o ensino das Ciências?

Houve quem chegasse ao extremo de dizer que o atraso científico e tecnológico do Brasil se deve à baixa qualidade do ensino de Ciências e Matemática

Por O Dia

Rio - Houve quem chegasse ao extremo de dizer que o atraso científico e tecnológico do Brasil se deve à baixa qualidade do ensino de Ciências e Matemática. Não é simples assim. Mas, de fato, se faz urgente melhorar e repensar seus objetivos. Mas onde está a origem do problema? E por que o ensino de Ciências da Natureza (o trio Física, Química e Biologia) e Matemática e suas tecnologias se transformou em desafio?

Não se trata de aumentar o número de aulas ou a duração para que continuem sendo preenchidas com longas exposições e ‘decoreba’ de fórmulas e tabelas — o que não contribui em nada para a construção do espírito científico.

Falamos em diversificar atividades, em fazer o aluno explorar a realidade, em iniciá-lo na pesquisa, para que saiba que descobertas exigem método e concentração, capacidade de superar fracassos e habilidade em estabelecer conexões em outras disciplinas.

Para isso, é preciso que a escola conte com estrutura mínima e que os professores tenham tempo para planejamento, atualização e trabalhos extraclasse. O que nos faz crer que a meta de democratizar o saber e a prática científica está longe de ser alcançada.

Desnecessário lembrar que todo indivíduo, hoje, precisa ser preparado para compreender os efeitos, em seu cotidiano, do progresso tecnológico, assim como para lidar com problemas ambientais que se refletem violentamente em nosso dia a dia, sem que cidadãos comuns tenham a remota noção de como agir para não agravá-los.

Através da educação científica nos damos conta de como funciona o mundo, e tal entendimento não só abranda o sentimento de insegurança que nos inibe diante de desafios e mudanças, como também permite o despertar do espírito cidadão, pois nos faz capazes de opinar sobre decisões que nos afetam diretamente.

Portanto, que se invista na melhoria do ensino das Ciências, mas não com a gana de achar gênios e futuros cientistas, e sim com o intuito de preparar os comuns dos mortais para ter algum domínio sobre a própria vida. Se estivéssemos tratando do ensino de Língua Portuguesa, diríamos que a meta não deve ser detectar um futuro Jorge Amado aqui ou outro João Ubaldo acolá, mas tornar qualquer aluno apto a se expressar pela escrita.

A tarefa exige esforço, e um dos empecilhos para ser levada a cabo é a precária formação de professores na Licenciatura que, com a desvalorização do Magistério, passou a ser o patinho feio do Ensino Superior. A formação continuada em disciplinas em construção permanente com Ciências da Natureza inexiste. Inseguros quanto aos conteúdos que transmitem, com temor de não saber responder a perguntas sobre tema atuais, eles se limitam a livros didáticos.

É indispensável garantir escolas equipadas e professores bem informados e bem formados, adequadamente remunerados. Jamais encontraremos outra solução para essa equação.

Magno de Aguiar Maranhão é presidente da Comissão de Legislação e Normas do Conselho de Educação

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