Por tamyres.matos
Rio - Pairam muitas dúvidas sobre o caso das quase 500 mil poupanças ‘confiscadas’ pela Caixa Econômica Federal. É um fato com mais de uma versão; exatamente por isso, a história precisa ser esclarecida, pois mexe num vespeiro. Tudo o que concerne a bancos deve ser observado de lupa, independentemente da extensão de possíveis danos ou da gravidade de equívocos. Pior ainda se tratar-se de má-fé ou ‘estratégia’ mal calculada. Tudo isso é agravado pelo fato de estar acontecendo com um dos pilares do sistema financeiro público, também um fomentador do mercado imobiliário e o gestor do FGTS.
As interpretações percorrem um amplo espectro. Vão desde um simples e inofensivo equívoco a um plano para engordar as contas do governo. Fato é que quase meio milhão de contas foram suspensas por problemas de cadastro. Até aí, nada de mais: é dever dos bancos ter pleno controle de quem movimenta dinheiro nos seus sistemas e de quem lhe confia a guarda.
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Causa curiosidade, contudo, a postura adotada pela Caixa. A praxe em contas de banco inativas é deixar que incidam taxas e tarifas até que o dinheiro vire dívida, como forma de pressionar o correntista. O encerramento repentino e a suposta apropriação do montante para maquiar as contas chamaram a atenção da Controladoria-Geral da União e até da presidenta Dilma.
Vale lembra que a economia brasileira não passa necessariamente por um céu de brigadeiro. Muitos questionam abertamente a condução do ministro Mantega, e os números, outrora ensejadores de euforia, já não são tão pujantes. Dentro desse cenário, a confirmação de uma manobra para ‘contabilidade criativa’ teria um efeito colateral devastador. Todo o ‘esforço’ para arrumar a matemática terá sido em vão. Agora que o imbróglio veio à tona e causou esse desconforto, é importante deixar tudo às claras, sem atropelos ou sustos, para que a credibilidade do sistema bancário saia o menos arranhada possível.