Rio - Os governos estadual e municipal tiveram a coragem de colocar a mão no vespeiro que era a gestão da Saúde. Optaram, em alguns casos, pela administração privada, por meio das Organizações Sociais (OSs), entidades sem fins lucrativos. Uma forma de reunir os melhores projetos da administração pública às melhores práticas da gestão privada.
Em quatro anos, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) já atenderam mais de três milhões de pessoas. Só a do Complexo do Alemão assiste, em média, mais de 350 usuários por dia. Em 2009, a cobertura do Programa Saúde da Família era de 10,8% em Bangu e 16,8% na macrorregião de Campo Grande. Em 2012, chegou a 51% e 58%, respectivamente.
Recente pesquisa com o usuário do SUS nas clínicas da família na Grande Jacarepaguá, realizada pelo Ibap-RJ, revelou que 95% estão satisfeitos e 90% disseram que resolveram seu problema na primeira visita.
Ainda existem correções a serem feitas. Às vezes, plantões estão incompletos, faltam pediatras, e há o desafio de melhor qualificar os profissionais disponíveis no mercado. A demanda cresceu, e forma de lidar com o problema é valorizar os contratados. Um médico que recebia menos de R$ 3 mil, por 24 horas de trabalho por semana, antes de 2009, passou a ganhar mais de R$ 7 mil. Esse reconhecimento também atingiu enfermeiros, farmacêuticos, dentistas e todos aqueles que formam a rede de gestão e atenção do Saúde da Família.
Hospitais como o São Francisco de Assis do Centro Estadual de Transplantes, o da Mulher de São João de Meriti e o de Traumatologia e Ortopedia do Paraíba do Sul são exemplos de unidades de saúde capazes de atender à demanda de diversas especialidades.
Em maio foi inaugurado o Hospital do Cérebro, um divisor de águas no objetivo de posicionar o Rio como centro de altíssima complexidade e eficiência em patologias de grande impacto na saúde pública e privada. Implantar essa assistência custou caro, principalmente nos locais que eram verdadeiros desertos sanitários.
Gerir é corrigir falhas permanentemente, melhorando a eficiência e administrando as novas necessidades e desafios. As OSs têm, como qualquer empresa privada, a agilidade necessária para funcionar como um dos instrumentos de apoio à gestão.
Não formulam a política de Saúde, apenas a executam, sob criteriosa supervisão do gestor público, que cobra, analisa, conta por conta, indicador por indicador, e quem sai ganhando é o usuário do SUS. E esse usuário do SUS está mais atento, mais exigente, e novos desafios surgirão. Que neste 2014 todos nos orgulhemos do que fizermos neste novo ano.
Eduardo Cruz é presidente do Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde