Por thiago.antunes
Rio - É de suma relevância a consulta pública aberta pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para redefinir a tolerância contra quedas de luz. Não é razoável ter tantos incidentes na rede, como os registrados no fim de semana no Rio, e recorrer sempre ao imponderável para justificar suas deficiências.
O breu que atingiu parte da Zona Sul, sabe-se agora, foi causado por roubo de cabos. Se há liberdade para subtrair fios com tanta facilidade, é preciso repensar a segurança da rede, pois ações clandestinas podem ir além de simples apagões, provocando curtos ou até mesmo explosões.
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Neste caso de Ipanema e Leblon a Light correu para o acordo e conseguiu aplacar a ira dos consumidores. Promete ressarcir prejuízos. Mas é um comportamento de exceção, se for considerado o histórico das concessionárias de energia no Rio. Quedas de luz prolongadas, tão comuns na Região Metropolitana, impõe custos — como aparelhos queimados e comida estragando — e sobretudo o desconforto de dormir no verão sem ter como aplacar o calor.
A consulta pública da Aneel permanecerá aberta a sugestões até 23 de março. A intenção da agência é ser mais objetiva na classificação de quais ocorrências podem ser classificadas como ‘apaguinhos’. O grande desafio é identificar os casos que poderiam ser classificados como fortuitos ou emergenciais e diferenciá-los daqueles provocados por falta de manutenção da pela distribuidora ou por erros no planejamento ao projetar a demanda futura e contratar a energia.
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A regulamentação proposta prevê melhorias no processo de prestação de contas aos consumidores sobre os motivos das interrupções de longa duração e das medidas que devem ser tomadas para que não se repitam. Com a nova regra, também será possível restringir a argumentação na Justiça contra o pagamento de multas.
É fundamental que todos ajudem a elaborar o documento, para que se dê mais um passo no respeito ao consumidor. Fornecer luz não é benesse; é um serviço pago, que deve restringir ao mínimo os erros, e não torná-los comuns.