Por thiago.antunes
Rio - Quanto mais eu frequento as redes sociais — Facebook e Twitter —, mais eu fico pensando como a vida virtual parece melhor que a vida real. Nas redes todo mundo é tão bacana, tão correto, tão certinho que alegra e incomoda ao mesmo tempo. Já notaram como nas redes todo mundo defende o coletivo, o bem-estar de todos, o cumprimento das regras, sem pestanejar ou vacilar? No mundo virtual, o politicamente correto é o usual.
Ninguém atrasa pagamento, ninguém dá o cano em ninguém, ninguém deixa pra amanhã o compromisso de hoje, ninguém falta ao trabalho, todo mundo é tão honesto, não joga lixo na rua, trata bem os animais, é fiel aos parceiros e parceiras, não tem ressentimento, nem rancores. Só amores e sentimentos bons. Já pensaram em como seria bom se fosse assim na vida real? Não faltaria água em casa alguma, nunca faltaria dinheiro para as coisas básicas da vida, todas as crianças estariam em escolas modernas e eficientes.
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Todos os trabalhadores estariam satisfeitos com seus salários. Todas as contas estariam em dia. Não haveria cheque especial nem juros altos porque ninguém precisaria usá-los. Todos teríamos responsabilidade sobre nossos atos. Todos assistiríamos aos jogos da Copa ou ao desfile das escolas de samba ou às peças de teatro ou aos filmes em cartaz nos cinemas... Nenhum bueiro explodiria. Jamais faltaria luz. Todos leríamos todos os livros que quiséssemos.
Todos teríamos casa própria. Todos teríamos carros do ano. Nunca haveria engarrafamento porque todos os caminhos estariam sempre livres. Pena que a gente não possa viver no mundo virtual e as mazelas da vida se apresentam. Lamentável que a gente tenha que ouvir que roubaram mais de 350 metros de cabos de energia e os transportaram sem que ninguém notasse, em plena Ipanema, gerando um prejuízo de meio milhão para comerciantes e moradores do bairro. Tão triste quanto ver os moradores de vários bairros da Zona Norte pagarem altas contas de água sem ter o precioso líquido. Os casos de dengue também dão medo.
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Mais de 35% de aumento do número de mortes pela doença. E o descredenciamento da Gama Filho e da UniverCidade? Um calvário para estudantes e professores. Famílias se esforçaram, durante anos, para pagar as mensalidades, que não são baratas, e agora assistem ao sonho de ter os filhos formados vir por terra. O que acontecerá com eles? E os professores? Estão há muitos anos recebendo seus salários com muito atraso, sem poder abandonar seus empregos, pelo sonho de educar e pela sobrevivência mesmo.
O que acontecerá com o emprego e com a vida deles? Eu não sei vocês, mas eu bem que queria poder viver só a vida virtual. Parece tão mais bonita. Parece tão mais feliz.
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