Por thiago.antunes
Rio - Com este calor, o jeito é escrever aos pedaços, com pausas para tomar um gelado ou uma geladinha.

As manchetes da semana são alarmantes, tipo “Brasileiro sofre com falta de sorvete e ar-refrigerado”. Em matéria de sofrimento, estamos bem na foto, comparados com o pessoal do Irã, Egito, Uganda; aborígenes com armas de grosso calibre e farta munição gentilmente fornecidas por russos e americanos, se matando adoidados.
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Grande prejuízo para o jornalismo e para quem gosta de teatro: Bárbara Heliodora resolveu se aposentar, depois de tantos anos de batente. Tomara que mude de ideia. Obviamente vai continuar vendo todas as peças em cartaz, tem paixão imorrível — como dizia aquele ministro cujo nome esquecemos — pelo teatro. Se ao menos fosse falar sobre o espetáculo numa mesa do Fiorentina, entre rodadas de chope com os amigos, vá lá.
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Vou confessar algo que vai pegar mal: gosto mais de ler peças e críticas teatrais do que ver as encenações. Obviamente me refiro a críticos do porte de Bárbara, que tem um texto invejável, ao saudoso Paulo Francis e alguns poucos.
O ato físico de ir ao teatro é uma chatice: fazer a reserva, correr atrás de táxi, fila para entrar, penar na sala de espera, achar e enfiar-se na poltrona, disputar — quase sempre sem êxito — o braço da dita poltrona a cotoveladas com o vizinho.
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Sorte quando não digita mensagens ou, pior, puxa conversa. Sempre tem alguém tossindo, espirrando ou produzindo ruídos atrozes. Quando entramos no clima da peça, vem o intervalo e a consequente desconcentração, recomeça tudo no segundo round, digo, ato.
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A única coisa que aprecio na tevê são os jogos da Uefa, não perco um. Parece outro esporte, aliás nem parece esporte. Os estádios, quase sempre lotados, são um deslumbramento, as torcidas não se dilaceram, não jogam coisas — de garrafas a explosivos — no gramado, que mais parecem veludo verde.
Todos os espaços são ocupados, os jogadores são bailarinos, mágicos, superatletas incansáveis, o ritmo não diminui um minuto. Parecem capazes de fazer aquilo durante horas seguidas, já como fazem os astros do tênis. Sem falar na técnica das filmagens — com closes, câmera lenta, cenas em todos os ângulos, até aéreos, que transformam as disputas num espetáculo épico.
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Em breve — deu no jornal — vai faltar água. Para Roseana Sarney, a Maria Antonieta dos trópicos, não deve ser problema: “Não tem água? Bebam champanhe.”
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