Por thiago.antunes
Rio - O desfecho previsível e, por que não dizer, previsto do descredenciamento da Gama Filho e da UniverCidade acende a velha chama de que estamos vivendo uma crise no Ensino Superior. Essa crise é real, só que ela existe há pelo menos duas décadas, tempo em que estamos difundindo o tipo de gestão baseada no discurso neoliberal. Esse contexto fez com que o governo brasileiro entrasse na era dos novos financiadores e provedores de serviços.
Mas, para que isso acontecesse, o Brasil teve que promover a privatização de alguns setores públicos e a liberalização e desregulamentação do mercado, o que tornou o cidadão comum, em alguns casos, um ‘largado à própria sorte’. Contraditoriamente, não observamos nas duas últimas décadas melhora nos serviços públicos, que continuaram a ter estruturas precárias, condições de salário insatisfatórias e falta de financiamento público para pesquisas.
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Essa tendência opõe-se à consolidação de sistema voltado para a democratização da sociedade e para desenvolvimento autônomo do sistema universitário. O sistema de Educação Superior brasileiro entrou na lista dos serviços e passou a contar com a influência dos organismos internacionais, do mercado financeiro, dos grandes grupos educacionais e com a crescente participação do capital estrangeiro.
O governo, na figura do MEC, vem acompanhando passivamente esse fenômeno, emitindo, no máximo, algumas ameaças de apertar o cerco na supervisão das instituições. Hoje, em termos de garantia governamental, é mais seguro contratar os serviços de uma operadora de celular do que se matricular numa universidade privada.
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Fatos como esse são um convite ao surgimento de soluções mágicas que só servem para mascarar e desviar o foco da questão central. A questão central é o nível de segurança de um sistema educacional que deveria ser garantido pelo governo através de políticas e processos que assegurassem o recebimento do fruto do investimento (pessoal e financeiro) feito por milhares de estudantes que não se formaram e nem vão se formar através da escolha que fizeram.
Educação e mercado produzem uma mistura heterogênea e venenosa, em especial num país que depende de profissionais competentes para se desenvolver. É preciso urgentemente que se corrija a miopia do olhar do governo para essa questão.
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Júlio Furtado é professor e escritor
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