Wilson Diniz: Onde Django mora?

Película pode ser referência para Dilma refletir sobre violência e criminalidade que se propagam na Baixada e no Maranhão

Por O Dia

Rio - A presidenta Dilma Rousseff deve ter assistido aos filmes ‘Django Livre’ (2012), de Quentin Tarantino — que narra a historia de um escravo revoltado transformado em caçador de recompensas —, e ‘Viva Django’ (1968), do italiano Ferdinando Baldi — sobre o pistoleiro justiceiro que consegue emprego com um político corrupto para enforcar inocentes donos de terras. As películas destes diretores podem ser referências simbólicas para a presidenta refletir sobre os fenômenos da violência e da criminalidade que se propagam na Baixada Fluminense e no Maranhão.

Na Baixada, o tecido social é fértil para aumento da violência e da criminalidade. Os indicadores socioeconômicos podem piorar se a presidenta Dilma não priorizar a região nos seus programas de governo. Nos 13 municípios, as favelas ocupam mais de 40% do território; o índice de trabalhadores sem carteira assinada (IBGE e Rais) é estarrecedor; a renda mais alta não ultrapassa cinco salários mínimos; 30% ganham em média um salário; a renda per capita tem como sustentação o produto da economia subterrânea — informal —, e parte do PIB é gerada nos subterrâneos da economia, o crime. Para completar a fotografia social, dados da Educação, como o Ideb, são comparáveis aos das regiões pobres do Nordeste. E aí, presidenta? Como enfrentar a ‘usina do crime’ com estes indicadores?

As ações de políticas do governo do estado na área de segurança com a implantação das UPPs e o trecho rodoviário que está sendo construído, entre Itaboraí e Itaguaí, abrem horizontes para a chegada do desenvolvimento na Baixada, mas não são suficientes para alavancar a economia formal e eliminar os ‘bolsões de pobreza’ da região no curto prazo.

A Baixada, com 2,6 milhões de eleitores, e a Zona Oeste do Rio — onde já se concentra 26% da população da cidade, alvo da expansão imobiliária e foco de investimentos em infraestrutura realizados pelo prefeito Eduardo Paes, com o crescimento da renda industrial — formam territórios estratégicos nas eleições de 2014, para a presidenta compensar seus baixos índices de preferência do eleitorado no Estado de Minas.

O Brasil, sendo manchete nos principais jornais internacionais com os recentes acontecimentos da violência no Maranhão, resgata o personagem fictício da obra de Baldi, Django, que se hospeda nos presídios do governo de Roseana Sarney. Onde Django mora, presidenta?

Wilson Diniz é economista e analista político

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