Por thiago.antunes
Publicado 22/01/2014 01:28

Rio - Não vou falar de verão, cidade repleta de gringos e da vida que pulsa da praia, sem espaço na areia e com espuma branca. Nem dos preços mais altos que Londres — falar sobre isso é como quando você diz que o seu peso é o de 15 anos atrás. Qualquer médico vai dizer que seu peso já é este que você mantém há pelo menos dez anos, não se iluda.

Ou seja, hoje você não é mais magro como um dia foi, assim como uma água aqui pode chegar a R$ 8 e uma barraca na praia não sai por menos de R$ 10. Tudo é caro neste balneário. Fato.
Quero apenas exaltar a tranquilidade da cidade nesses dias que sucedem o Réveillon. E ter o direito de ficar nostálgica quando lembram de cavalos, crianças brincando na rua de areia e pontes de tábuas onde hoje é um trânsito infernal.

Quero falar do janeiro das férias escolares, ruas mais livres e horas de silêncio. Desejar que lotem as regiões Serrana e dos Lagos, a Costa Verde, o Norte fluminense e festejar uma cidade (quase) só para mim, bem longe do ideal, mas bem mais em paz.

Dias de calor intenso suportáveis, nada como o sufocante dezembro. Ares de começo, de primeiro mês do ano, quando o cansaço do ano velho expira e subitamente ganhamos energia. Janeiro de São Sebastião, com pouca roupa para suportar o termômetro sempre acima dos 35 graus, e brisa de feriado.

De meninas ganhando um ano de vida e ficando com jeito de moças, e seus vestidos e cabelos todos iguais; longos e penteados para o lado, esvoaçantes, cheios de viço e expectativa ventando. Ao lado de meninos com fios por cortar, ou com a nuca batidinha e a franja grande... ainda meio bobões, meio trôpegos diante delas.

Janeiro de folhas verdes claras, vivas, nascidas na primavera e com tempo de curtirem até o outono, antes de caírem. De nuvens douradas no céu e fotos dos Dois Irmãos todos os dias nas redes sociais.

Janeiro do copo de cerveja gelada, das festas de verão, com todo mundo dançando e sorrindo com seus pares nas noitadas que terminam de manhã. Do açaí aditivado, cangas com estampa da semana e ônibus lotados no pós-praia. Tudo isso passando como numa tela, e a gente no ar. No condicionado ou o do fim de tarde, mais fresco, com tempo de viver. Aproveitemos este respiro, pois.

Email: karlaprado@odia.com.br

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