Editorial: Fiscalização e lei forte impedem fatalidades

Desmantelamento da passarela da Linha Amarela tem muito em comum com o colapso da SuperVia, na semana passada

Por O Dia

Rio - O desmantelamento da passarela da Linha Amarela tem muito em comum com o colapso da SuperVia, na semana passada. As semelhanças vão além do garrote imposto à cidade e aos cariocas. Os dois acidentes derivam de fiscalização débil e leis que não servem para nada. O descarrilamento do trem que apagou cinco ramais da Central do Brasil felizmente não machucou ninguém. O mesmo não pode ser dito do caminhão que pôs um monstro abaixo, amassando carros e motos tais como latas de bebida separadas para a reciclagem. São, até o momento, quatro mortos e cinco feridos.

Na tragédia desta terça-feira, de fato pouco poderia ser feito para conter o caminhão na rota de colisão com a passarela — foram poucos minutos entre o veículo entrar na via expressa e derrubar a passagem. Seria necessário botar patrulhas em cada acesso ou circulando nas pistas para uma abordagem ágil, manobra improvável até para o mais inventivo cinema.

A negligência, no caso, são os furos que permitem caminhões entrarem na Linha Amarela fora do horário determinado. Houvesse, cotidianamente, fiscalização eficaz, motoristas pensariam duas vezes antes de cometer a infração. É outro absurdo a multa pelo tráfego proibido ser irrisória, de R$ 85, valor que não faz nem cócegas para quem está disposto a cortar caminho.

Óbvio que não se pode tirar a responsabilidade do motorista, que também corria — deveria rodar a 80 km/h, mas excedia o limite — e estaria ao celular, alheio a alertas de outros motoristas e ao próprio caminhão, que já parecia um bizarro carro alegórico, cuja instabilidade seria difícil não notar. É pertinente ainda verificar o estado da passarela, que se desfez como um brinquedo.

Mais uma vez, a falta de proatividade mata cariocas, e agora as autoridades prometerão mundos e fundos para mudar o quadro. Tarde demais.

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