Por nara.boechat
Rio - Relatório da Unesco divulgado esta semana aponta o Brasil em oitavo lugar no triste ranking dos países com mais analfabetos adultos. A despeito de inegáveis avanços na Educação, ainda há 13,2 milhões de brasileiros acima de 15 anos de idade que não sabem ler ou escrever. É um nó difícil de desatar. O dado, incômodo, levanta necessário debate sobre analfabetismo funcional, universalização do ensino e metas para escolas.
Reduzir essa porcentagem é um enorme desafio. Adultos nem sempre têm tempo ou condições de estudar, e o ensino a eles dedicado, o EJA, frequentemente esbarra em problemas ainda maiores que os observados na rede regular de Educação: dependências compartilhadas, horários que não ajudam o aluno, falta de professores. Fazer esse segmento da sociedade dedicar-se a aprender é difícil e não necessariamente está na pauta de governantes. Mas deveria.
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O Brasil avança com consistência para eliminar o analfabetismo entre crianças. Na faixa etária dos 15 e 16 anos, por exemplo, segundo o Inep, apenas 2% não sabem ler ou escrever. O Bolsa Família também contribui ao exigir matrícula dos filhos. O mesmo esforço poderia ser empreendido com adultos. A expectativa de vida no país bate na casa dos 75 anos, quase 20 a mais do que o anotado em 1960. Logo, há tempo de sobra para aprender. E há interesse em reduzir, entre os mais velhos, o índice de iliterados, que muito poderiam contribuir.
É um risco, porém, ater-se a números. Estima-se que um a cada dez concluintes do Ensino Médio um seja analfabeto funcional, ou seja, incapaz de entender um simples texto. Problema que advém, muitas vezes, da formação dos professores e da pressão por estatísticas favoráveis. Tudo se corrige, contudo, quando se investe maciçamente na formação dos docentes. Pagar salários dignos e incentivar a carreira fará com que o magistério volte a ser atraente. Com mais mestres de qualidade, o analfabetismo não perdurará.